“Não augura nada de bom para o futuro”. CDS critica Governo pelo envio de alargamento de apoios sociais para Tribunal Constitucional

“Este braço de ferro entre um Governo que é minoritário e os partidos que no Parlamento viabilizaram [o alargamento dos apoios] deixa em todos nós portugueses as maiores dúvidas a cerca da viabilidade desta solução governativa”, garantiu a porta-voz do CDS-PP.

Cecília Anacoreta Correia
Cecília Anacoreta Correia, porta-voz do CDS-PP

A porta-voz do CDS-PP, Cecília Anacoreta Correia criticou, esta quarta-feira, o Governo pelo envio do alargamento dos apoios sociais para o Tribunal Constitucional e considerou que a decisão não “augura nada de bom para o futuro”.

Num vídeo enviado às redações, a porta-voz centrista apontou que a decisão do executivo de António Costa “não augura nada de bom para o futuro dificilíssimo que todos vamos ter de enfrentar juntos”. “Este braço de ferro entre um Governo que é minoritário e os partidos que no Parlamento viabilizaram [o alargamento dos apoios] deixa em todos nós portugueses as maiores dúvidas a cerca da viabilidade desta solução governativa neste contexto tão difícil que vivemos”, completou.

Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, pediu a fiscalização dos três diplomas que preveem o alargamento dos apoios sociais. “Entendo ser meu dever solicitar ao Tribunal Constitucional a apreciação das normas aprovadas pela Assembleia da República e que considero inconstitucionais”, sublinhou António Costa.

Cecília Anacoreta Correia garante que “o Governo remete para uma dimensão jurídica aquilo que é essencialmente um problema político e social”. “A necessidade de assegurar condições de dignidade de vida a quem mais sofre com esta pandemia é uma prioridade a que o Governo foge deixando sem resposta trabalhadores independentes, gerentes e empresários em nome individual, pais em teletrabalho, profissionais de Saúde a quem é pedido uma resposta extrema para os doentes não Covid”, frisou a centrista.

“Remeter para o Tribunal Constitucional o destino das soluções em vez de procurar o diálogo e o compromisso para encontrar respostas é o maior gesto de falência política que o Governo poderia ter”, garantiu Cecília Anacoreta Correia lembrando que o conjunto de diplomas que chegaram. esta quarta-feira, ao Tribunal constitucional foi “foram aprovados em bloco no Parlamento exceto pelo PS”.

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