NATO reúne com a Iniciativa Bucareste 9 para preparar cimeira

Os nove países são ex-repúblicas soviéticas ou elos da chamada Corina de Ferro, o que demonstra que a organização tem como um dos temas centrais da cimeira do próximo mês a tentação expansionista russa.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, teve um encontro com os chefes de Estado e de governo da chamada Iniciativa Bucareste 9 – que inclui Bulgária, República Checa, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, Roménia e Eslováquia – para preparar a cimeira da organização, para a qual falta precisamente um mês (14 de junho).

Stoltenberg disse, citado por comunicado oficial, que “a cimeira da NATO no próximo mês oferece uma oportunidade única para iniciar um novo capítulo nas relações transatlânticas e para reforçar a unidade entre a Europa e a América do Norte e preparar a aliança para os desafios de amanhã”. O Secretário-Geral Stoltenberg disse.

“Num mundo mais imprevisível e competitivo, devemos fazer mais juntos e demonstrar solidariedade transatlântica não apenas em palavras, mas em ações. Assim, na cimeira, teremos uma agenda ambiciosa e prospetiva, fortalecendo os nosso compromisso de defensa, ampliando a nossa abordagem de segurança e adotando uma postura mais global, para salvaguardar a ordem internacional baseada em regras”.

A reunião com a Iniciativa Bucareste 9 surge como importante para a organização num quadro em que a Rússia é para já (como sempre) a maior preocupação da NATO – que vê o governo liderado há décadas por Vladimir Putin como interessado em estender a influência de Moscovo até ao limite das suas capacidades.

O facto de a Iniciativa Bucareste 9 ser toda ela formada por ex-repúblicas da União Soviética ou por Estados que compunham a Cortina de Ferro é considerado fundamental para a aliança, que assim estende um ‘cordão sanitário’ em torno do território russo.

A Iniciativa Bucareste 9 foi lançada pela Polónia e Roménia em 2014 e o seu objetivo é consolidar opiniões sobre questões de interesse comum da NATO e das nações participantes e apoiar projetos conjuntos de segurança.

A cimeira em preparação será a primeira com a presença de Joe Biden enquanto presidente dos Estados Unidos e está rodeada do maior interesses político – nomeadamente porque a comunidade internacional espera que a Casa Branca tenha toda uma outra forma de encarar a aliança, depois de o ex-presidente Donald Trump a ter reduzido a um instrumento sem interesse para a sua administração.

Biden já sossegou os seus parceiros ocidentais: está interessado em reforçar a aliança e o pacto de segurança que ela implica, numa ótica de colaboração onde todas as partes são importantes. Mas, se a questão da tentação expansionista russa é consensual, não faltarão na reunião de Bruxelas inúmeros dossiês bem mais difíceis. Um deles terá a ver com o Mediterrâneo Ocidental, porque opõe Turquia e Grécia, dois membros da organização.

 

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