A foto em cima é a imagem de um mapa fantasma das estâncias de esqui europeias abandonadas. À primeira vista, parece um retrato vibrante de uma Europa branca e ativa, mas a realidade por trás de cada símbolo é diferente. São pontos vazios; vestígios de um tempo em que a neve dava vida às montanhas e as comunidades prosperavam ao ritmo das temporadas. Estes ícones são representações visuais de locais que constam no site abandonedskitowns.com, um inventário dedicado à preservação da memória das estâncias de esqui encerradas e dos destinos que desapareceram da cartografia turística da Europa (e do mundo).
Embora não exista uma base de dados pública que permita saber quais destas estâncias já desapareceram completamente, este mapa permite uma leitura clara: a crise não está nos grandes domínios alpinos, que continuam a atrair milhões de visitantes. A avalanche atinge as pequenas estâncias, locais e familiares, que dependem da neve natural e de invernos longos. A altitude tornou‑se destino: abaixo dos 1500 metros, a sobrevivência é exceção.
Se for ao site e clicar nos ícones assinalados no mapa, verifica, por exemplo, que, a estância localizada nos Pirenéus espanhóis, na região de Aragão, oferecia pistas adequadas para praticantes iniciados e intermédios e que encerrou devido a problemas relacionados com a irregularidade da queda de neve.
Se continuar a clicar nos ícones verá os “fantasmas” dos Alpes franceses, especialmente em zonas de baixa altitude. Um exemplo concreto é Céüze 2000, que esteve em funcionamento durante 85 anos, tendo encerrado definitivamente em 2018, devido à falta de neve e à inviabilidade financeira. E a história repete-se na Suíça, Alemanha, Áustria, nos alpes italianos, na Europa de Leste, em países como a Eslováquia, a Bulgária e Roménia.
Aquecimento global, o vilão do esqui
Um estudo publicado na revista Nature Climate Change, afirma que o aquecimento global pode pôr em risco o futuro do turismo de esqui na Europa. Os investigadores analisaram 2234 estâncias de esqui em 28 países europeus e concluíram que a escassez de neve se intensificará de forma desigual entre as várias regiões, exigindo adaptações com custos ambientais significativos.
“Sem recurso à produção artificial de neve, mais de 53% das estâncias europeias estariam em risco muito elevado de falta de neve com um aquecimento global de 2 °C e quase todas (98%) com 4 °C”. A mesma fonte refere ainda que, com recurso à neve artificial em 50% das pistas, estes valores descem para 27% e 71%, respetivamente. O estudo realça que, embora a produção de neve artificial seja responsável por apenas uma fração modesta das emissões do turismo de esqui, é crucial para a sustentabilidade económica das estâncias.
Neve artificial, custos reais
O custo económico da perda de neve natural é elevado: estima-se que a indústria europeia de esqui possa perder até 10 mil milhões de euros por ano, em termos de receitas de turismo, postos de trabalho e serviços associados, caso as tendências atuais se mantenham. Será, então a neve artificial a solução para ressuscitar as estâncias? O “branco seguro” vem acompanhado de custos económicos e ambientais elevados. O preço varia de 2 a 3,8 euros por metro cúbico de neve, ou cerca de 15 mil euros por hectare, dependendo da temperatura e humidade. Sistemas completos de canhões custam entre 450 mil e 5 milhões de euros.
A operação dos canhões de neve e dos sistemas de bombagem implica também um consumo elevado de eletricidade, da ordem das centenas de gigawatt-hora por ano, contribuindo para emissões estimadas entre 80 mil e 93 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente.Estes valores variam consoante o país, a eficiência dos equipamentos e a origem da energia utilizada, mas pode representar até 50% da conta de energia de um resort médio.
A neve artificial não é apenas uma solução técnica: é um negócio caro. Os custos de instalação e operação de sistemas de neve artificial em estações de esqui são elevados e variam amplamente consoante a dimensão da área equipada e as tecnologias utilizadas. Mas as grandes estâncias continuam a prosperar mostrando que o setor apresenta rentabilidade e continua a escalar. Porém, este tema é uma bola de neve que começou a rolar e que tende a crescer caso o clima não mude.
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