Novo Banco “não reage” a previsão do Governo mas acha “feliz” capitalização faseada

O Governo prevê injetar no Novo Banco 2.150 milhões de euros até 2021, confirmando os 1.149 milhões de euros em 2019 e adicionando a previsão de 600 milhões em 2020 e 400 milhões em 2021, segundo o Programa de Estabilidade hoje divulgado.

Cristina Bernardo

O presidente executivo do Novo Banco disse hoje que a instituição “não reage” à previsão de injeção de 2.150 milhões de euros por parte do Governo, mas considera uma “ideia feliz” a recapitalização faseada do banco.

Num encontro com a imprensa na sede do banco, em Lisboa, o presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, disse que a instituição “não reage” e “não vai comentar” perspetivas do Governo.

“O Novo Banco tem o seu projeto, que é enquadrado desde 2017 [data da venda de 75% do capital à Lone Star, ficando os 25% restantes no Fundo da Resolução] e, portanto, seguirá o seu caminho naturalmente, e não vai comentar perspetivas do lado do Governo”.

O Governo prevê injetar no Novo Banco 2.150 milhões de euros até 2021, confirmando os 1.149 milhões de euros em 2019 e adicionando a previsão de 600 milhões em 2020 e 400 milhões em 2021, segundo o Programa de Estabilidade hoje divulgado.

António Ramalho disse que a “decisão de fazer uma capitalização da instituição não toda à cabeça, mas de acordo com as necessidades” é uma “ideia feliz”, uma vez que “o dinheiro fica protegido se for entregue à empresa quando ela precisa dele”.

No entender do líder do Novo Banco, “é uma solução que de alguma maneira precisa de ser compreendida por todos”.

“Quando se tem de pedir dinheiro aos acionistas não é o melhor dos momentos da instituição financeira”, assumiu, mas garantiu que o banco vai resolver “com toda a naturalidade” os seus problemas de legado.

Em 01 de fevereiro, na apresentação de resultados de 2018 do Novo Banco, a instituição liderada por António Ramalho confirmou que iria pedir 1.149 milhões de euros ao Fundo de Resolução.

“Em resultado das perdas das vendas e da redução dos ativos ‘legacy’, o Novo Banco irá solicitar uma compensação de 1.149 milhões de euros ao abrigo do atual Mecanismo de Capital Contingente (CCA). Este montante decorre em 69% das perdas assumidas sobre os ativos incluídos no CCA e 31% devido a requisitos regulatórios de aumento de capital no quadro do ajustamento do período transitório dos rácios de capital e ao impacto do IFRS 9” (normas de contabilidade), referiu o banco em comunicado, à data.

Em 2018, para fazer face a perdas de 2017, o Novo Banco já tinha recebido uma injeção de capital de 792 milhões de euros do Fundo de Resolução.

O Fundo de Resolução é uma entidade financiada pelas contribuições dos bancos do sistema (entre os quais o público Caixa Geral de Depósitos), mas está na esfera do Estado (conta para o défice orçamental) e é gerido pelo Banco de Portugal.

 

Ler mais
Relacionadas

Novo Banco lança campanha institucional para aliviar “fluxos reputacionais”, anunciou António Ramalho

“Temos consciência que este processo de capitalização definido para o banco, um processo de capitalização feito à medida das suas necessidades de reestruturação, acaba por ter este desafio reputacional”, revelou o CEO do Novo Banco.

Programa de Estabilidade: Governo conta com mais 1.000 milhões para Novo Banco

Os contribuintes portugueses vão dar mais 1.000 milhões de euros de ajudas financeiras ao Novo Banco entre 2020 e 2021. Valor soma à injecção de capital de 1.149 milhões de euros prevista para este ano. Entre 2018 e 2021, injecções somam perto de três mil milhões de euros. Montantes estão inscritos no Programa de Estabilidade 2019-2023 que é hoje apresentado.
Recomendadas

PremiumCGD vende filial em Espanha acima do valor de mercado

A Caixa vendeu o Banco Caixa Geral ao Abanca com um múltiplo acima da média do mercado. O Price-to-Book Value inerente à transação foi de 0,74x acima da média na Ibéria que é de 0,57x.

Premium“O regime fiscal da poupança devia melhorar”

A mais antiga sociedade gestora portuguesa de fundos de pensões, a SGF, foi comprada pela Golden. O presidente, António Nunes da Silva fala do novo posicionamento estratégico.

Líderes da UE formalizam nomeação de Lagarde na presidência do BCE

Os líderes da União Europeia (UE) formalizaram hoje, em Bruxelas, a nomeação de Christine Lagarde como presidente do Banco Central Europeu (BCE), para um mandato de oito anos, não renovável, em substituição de Mário Draghi.
Comentários