Nuno Artur Silva garante vender participação na Produção Fictícias antes de tomar posse como secretário de Estado

Nuno Artur Silva entra no Executivo e fica a tutelar a RTP, a empresa pública de onde foi afastado da administração pelo Conselho Geral Independente há pouco mais de um ano por alegado conflito de interesses. Enquanto administrador da RTP, Nuno Artur Silva detinha parte da Produção Fictícias, fornecedora de conteúdos da televisão pública.

O fundador da Produções Fictícias (PF) Nuno Artur Silva terá assegurada a venda da sua participação na empresa produtora de conteúdos, fundada em 1993, avança o “Público”, na tarde desta segunda-feira, 21 de outubro. O empresário do setor de media, que foi administrador da RTP entre 2015 e 2018, foi nomeado titular da recém-criada secretaria de Estado do Cinema, Audiovisual e Media.

“No momento em que tomar posse como secretário de Estado, já não serei acionista das Produções Fictícias e consequentemente do Canal Q”, disse Nuno Artur Silva aquele matutino. Recorde-se que a sua participação na PF originou polémica enquanto foi administrador da RTP.

Nuno Artur Silva entra no Executivo e fica a tutelar a RTP, a empresa pública de onde foi afastado da administração pelo Conselho Geral Independente (CGI) há mais pouco mais de um ano por alegado conflito de interesses.

O conhecido empresário do sector de media, argumentista, produtor e escritor foi afastado da RTP em janeiro de 2018, com a CGI, órgão que supervisiona a administração da estação pública, a sustentar que a sua continuidade era “incompatível com a irresolução do conflito de interesses entre a sua posição na empresa e os seus interesses patrimoniais privados”.

A presença do fundador e um dos proprietários da Produções Fictícias na administração da RTP nunca foi consensual. Logo no início do seu mandato, em fevereiro de 2015, a sua entrada no canal público gerou polémica, uma vez que a PF era há muito anos fornecedora de conteúdos da televisão pública.

Coincidentemente, após ter sido noticiada a entrada de Nuno Artur Silva no Governo, o presidente do CGI, António Feijó, considerou tal uma “excelente notícia”.

Sobre a decisão de afastar Nuno Artur Silva, Feijó, citado pelo “Público”,  considerou que actualmente não existe uma situação de conflito de interesses. “O secretário de Estado não vai ter uma interferência na gestão directa da empresa. Não vejo qualquer conflito de interesses na nomeação de Nuno Artur Silva como secretário de Estado da Cultura”, opinou.

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