É sob o mote “sincronização da diversidade” que se constroi a 15ª edição do Festival Internacional de Dança Contemporânea. De 5 a 14 de fevereiro de 2026, o corpo estará no centro do debate: corpo que resiste, que escuta, que se transforma e reconfigura a relação entre o humano, a comunidade e a natureza. Ou, nas palavras do novo diretor da Oficina, Esser Jorge Silva, o GUIdance propõe-se refletir o “zeitgeist”.
É precisamente a refletir sobre o ‘ar do tempo’ que arranca o festival. Com ironia e pózinhos afrodisíacos. “A música é a mais erótica das artes”. Palavra de Olga Roriz. No seu mais recente solo. “O Salvado” marca o regresso da coreógrafa portuguesa a Guimarães, ao GUIdance, com um trabalho que resulta de um ano de residências artísticas em Portugal e Londres, e que é um statement da também bailarina, de 70 anos, que exorta a premência de fugir a uma estética do “tudo igual” que tomou conta do mundo.
O GUIdance também se faz de estreias absolutas, mais concretamente serão três, entre as quais “Tender riot”, com criação e performance da vimaranense Ana Rita Xavier, com Daniel Conant, Madison Pomarico, Andy Pomarico, Jonas Friedlich, Maurícia Barreira Neves, Belisa Branças. Aqui a ternura é um ato de resistência e o cuidado serve de resposta ao esgotamento do presente. No mesmo dia, 7 de fevereiro, o festival recebe a Compagnie Marie Chouinard, que apresenta em estreia nacional um programa duplo com “Magnificat” e “BodyremixRemix”, obras exuberantes que exploram o mistério do corpo e da condição humana, em diálogo com a música de Bach.
Tânia Carvalho apresenta dois novos solos, “O Gesto do Falcão” e “O Sono da Montanha”, nos quais aprofunda a relação singular entre coreógrafa e intérpretes, onde cada corpo se afirma como território de experiência e metamorfose. Outra das estreias absolutas no GUIdance, a 12 de fevereiro, antes de a criação emergente entrar com estrondo no festival. Ermira Goro apresenta “Sirens” – peça também selecionada pela Aerowaves, numa viagem hipnótica pelas fronteiras entre desejo, género e maquínico – e Joana von Mayer Trindade e Hugo Calhim Cristóvão levam a cena “Quando Vem a Taciturna de Limiar em Limiar o Presente Frágil” (14 fevereiro), de Joana von Mayer Trindade e Hugo Calhim Cristóvão, uma obra atravessada por referências literárias e filosóficas que confronta a fragilidade do presente.
O muito aguardado regresso da Akram Khan Company encerra o festival, a 14 de fevereiro, com “Chotto desh”, uma coreografia que “é como uma busca por um lugar no mundo”, nas palavras de Nico Ricchini, que está com a companhia desde 2015, e para quem esta é uma peça é intemporal. “Há sempre alguma coisa a acontecer no mundo com que a podemos relacionar e isso explica porque continua a ter sucesso”. Tal como é um repto às novas gerações para pensarem a pertença, a memória e o futuro.
Além dos espetáculos que se repartem pelo Centro Cultural Vila Flor, Centro Internacional de Artes José de Guimarães e Teatro Jordão, o festival continua a privilegiar o contacto com a comunidade. É aqui que entram em cena as Embaixadas da Dança, que levam bailarinos e coreógrafos às quatro escolas secundárias do concelho de Guimarães e, este ano, pela primeira vez a adultos, no Centro de Formação de Língua Portuguesa para Migrantes.
Em ano de celebração, ou não fossem 15 anos de existência uma espécie de “idade maior”, o GUIdance propõe uma reflexão urgente sobre coexistência, interdependência e futuro, convocando o corpo como lugar de memória e imaginação coletiva.
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