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O poder já não mora em corredores

A nova sede do Governo, em open space e espaços partilhados, substitui os gabinetes isolados pela proximidade entre os governantes.
28 Agosto 2025, 07h00

No 11.º andar do Berlaymont, a sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, existe uma copa que só pode ser frequentada pelos adjuntos dos Comissários europeus. Nas pequenas mesas, por volta das 10h30, juntam-se pequenos grupos com uma chávena de café nas mãos. É a desculpa perfeita para alinhar posições e resolver divergências. Inspirado neste modelo de proximidade, o poder político português ganhou outro ritmo no Campus XXI, em Lisboa: as decisões são tomadas com rapidez, num ambiente em open space e pensado para aproximar governantes que antes estavam dispersos pela cidade.

“Queremos criar uma cultura de colaboração, partilha de experiências e promover o contacto direto entre decisores e equipas técnicas. Estamos todos no mesmo espaço, o que permite trabalhar horizontalmente, com uma abordagem mais ágil aos desafios da governação“, diz o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, ao Jornal Económico.

Neste edifício, onde cada andar ocupa a área de um hectare (equivalente a um campo de futebol), também existem várias copas equipadas com máquinas de café, pequenas mesas circulares e sofás. Tal como no Berlaymont é frequente ver adjuntos e assessores em pequenas reuniões informais.

Há também salas equipadas com ecrãs para videochamadas, e outras insonorizadas para garantir privacidade em simples telefonemas.
Ao concentrar múltiplos departamentos governamentais reduz-se o tempo gasto em deslocações entre os gabinetes que, até agora, estavam distribuídos pela cidade.

“É mais fácil descer um andar para falar com outro ministro, do que atravessar Lisboa de carro. Hoje em dia, a maior distância que percorro é para a residência do primeiro-ministro [São Bento]”, afirma Leitão Amaro.

Neste edifício encontram-se atualmente 24 membros do Governo (seis ministros e 18 secretários de Estado). Em 2024, foi investido o valor de 3, 8 milhões de euros e, em 2025 e 2026 estimam-se investimentos de 5,6 e 11 milhões de euros, respetivamente. A expectativa aponta para uma poupança anual na ordem dos 19 a 20 milhões de euros, resultante da redução de custos com espaços (arrendamento, manutenção, eletricidade, segurança), logística, limpeza e frota automóvel.

O Campus XXI tem nove pisos acima do solo que são compostos pelas áreas de escritório e seis pisos abaixo do solo, que compreendem o estacionamento, áreas técnicas e armazéns. Os únicos gabinetes que existem destinam-se aos ministros, secretários de Estado e chefes de gabinete. No total, tem 1600 lugares de estacionamento.

Existem ainda 58 elevadores (considerando os das áreas técnicas) e seis escadas rolantes. Certificado em termos ambientais, todo o ar que entra é tratado e não é permitido abrir janelas nem a existência de plantas naturais. Há também uma esquadra de polícia e um refeitório onde o almoço pode variar entre os 4 e os 12 euros – e cada prato tem a informação nutricional. A promoção do diálogo e a partilha de conhecimento sobre temas estratégicos para a modernização do setor público será uma realidade no futuro.

“Queremos ter cafés temáticos, talks ou momentos de interação com stakeholders sobre temas transversais ao Governo ou entidades públicas, como a Inteligência Artificial, gestão de dados ou digitalização”, diz António Leitão Amaro. O objetivo é tornar o Governo mais preparado para responder aos desafios de um país em transformação.


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