O que é que a ilha do Pico tem?

Tem a montanha mais alta de Portugal, o Pico, com 2.351 m de altitude, que dá nome à ilha. E tem lajidos, currais, vistas que fazem suspirar, trilhos memoráveis e muito mais. Sugestões para uns dias entre o céu e o mar, com vista para o vulcão.

Pico, Açores

O imponente vulcão é, sem dúvida omnipresente e também um traço singular na paisagem. Dele brotaram aqueles que hoje são vastos campos de lava que marcam indelevelmente a paisagem. Por aqui chamam-lhes “lajidos” ou “terras de biscoito” e integram a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, declarada Património da Humanidade da UNESCO em 2004. Destes merecem destaque os sítios do Lajido da Criação Velha e do Lajido de Santa Luzia.

Mas há mais. A riqueza mineral dos solos de lava e a organização do terreno num impressionante mosaico de pedra negra, vulgo muros de basalto ou “currais”, como são designados localmente, permitiu que a cultura da vinha se desenvolvesse com sucesso, sendo a casta predominante o verdelho. A Caminhando (962408417) organiza passeios guiados e sightseeing. Para uma abordagem mais “adrenalínica”, contacte a NaturFactor (914234941) e alugue uma bicicleta ou agende uma incursão em BTT.

Se ambiciona subir ao gigantesco cone vulcânico que é a montanha do Pico, o terceiro maior vulcão do Atlântico, fique a saber que na cratera principal se aloja um cone de lava designado de Piquinho, onde fumarolas permanentes recordam a sua natureza ‘eruptiva’. A cerca de 1.250 metros de altitude, onde tem início o percurso, avista-se boa parte da ilha, mas também as vizinhas Faial e São Jorge. No topo, e em dias de céu limpo, há uma recompensa adicional. “Ilhas Graciosa e Terceira à vista!”

Despeça-se do vulcão adormecido de copo na mão num dos espaços mais sui generis da ilha – e que anda nas bocas do mundo desde a sua inauguração –, o Cella Bar, no Lugar da Barca, na Madalena (292623654). O desenho do espaço é um misto de contorno da ilha, baleia e barris de vinho; a vista tem mar até ao infinito e a comida casa bem com os vinhos dos Açores, aqui abrilhantados pelos do Pico.

Cella Bar, Pico, Açores

A verdade é que o Pico tem paisagens que não parecem ser deste mundo. Como os tubos lávicos. E um dos maiores do mundo fica mesmo aqui. Falamos da Gruta das Torres, que se estende por cinco quilómetros, polvilhados de estalactites e estalagmites. 500 metros estão abertos ao público, é só reservar (924403921).

Outra maravilha ao alcance da vista é poder ver animais tão extraordinários como baleias, golfinhos e mantas. Ou seja, os tempos mudam e em terra onde antes se caçavam, agora faz-se observação de cetáceos. Pode fazê-lo com a Aqua Açores ou experimentar ver a fauna debaixo de água com a BrizAçores Dive & Sailing, que oferece cursos, saídas e batismos de mergulho. E para saber mais sobre as tradições baleeiras do Pico, faça uma visita ao Museu dos Baleeiros, nas Lajes, e ao Museu da Indústria Baleeira, em São Roque.

Em matéria de museus, fechamos o leque sugerindo que vá ao Museu do Vinho, na Madalena, para conhecer as antigas instalações do Convento das Carmelitas, bem como o charmoso miradouro aninhado no meio das vinhas. A visita inclui provas de vinho e, se a fizer durante o mês setembro, também poderá participar nas vindimas.

Miradouro, Museu do Vinho do Pico

Com isto se abre o apetite e três sugestões se seguem para as papilas gustativas se entreterem. A esplanada, a vista e, não menos importante, a reputação de ser um dos mais dignos representantes da gastronomia regional fazem d’O Ancoradouro uma mesa obrigatória (Madalena; 292623490). Um espaço descontraído, que prima pela qualidade dos produtos e confeção e cujo nome está na ponta da língua dos connoisseurs do petisco é, precisamente, a Tasca O Petisca, na Areia Larga. Tome note e vá até. Em São Roque, e para não se perder a contemplar a paisagem, comece por saborear um licor do Pico antes de entrar no capítulo da experimentação gastronómica, apesar de a base serem os produtos tradicionais. Na Casa Âncora, mente aberta rima com Açores à mesa.

A sequência até pode ser previsível, mas é um facto que Morfeu tem o seu quê de irresistível e que acabamos por sucumbir-lhe. E se não for ele, será essa montanha hipnotizante que nos convida à contemplação. Por isso é hora de pousar e de escolher um sítio para estar e ficar. Boa estadia!

A Alma do Pico fica a dois passos da Madalena, um recanto de dois hectares imerso em pinheiros, incensos e cedros. Um espaço mágico para repor energias e respirar tranquilidade. Federica e Fabio criaram 14 chalets – duas suítes e 12 estúdios com total privacidade e conforto, e vistas de cortar o fôlego. Todos têm kitchnette, mas pode sempre invocar a letargia para experimentar o  restaurante da casa, o “Atmosfera”.

© Alma do Pico

As Lava Homes nasceram no verão de 2015. Tudo começou pelo sonho de construir uma pequena aldeia na Ilha do Pico a pensar em famílias aventureiras. Porquê? Porque assim podem ter o melhor de dois mundos, um ponto de partida e chegada para fazer os trilhos que há na costa norte da ilha e, quem sabe, até escalar o Pico. As vistas soberbas são o prémio.

© Lava Homes

The Art of Escape, nas Lajes do Pico, no sul da ilha, oferece uma panorâmica privilegiada sobre o vulcão homónimo. É ideal para seis pessoas, seja o mote retiro em família ou grupo de amigos. Tem dois quartos duplos e um single, uma decoração minimalista mas elegante com apontamentos que valorizam a arquitetura moderna do edifício. Os dois terraços são um plus e a localização um convite a umas braçadas ou à prática de mergulho.

© The Art of Escape

Ainda nas Lajes, a Aldeia da Fonte, cujos jardins frondosos escondem seis casas, fica junto a uma falésia. Terra, rochas e mar num eterno abraço. Passeie pela propriedade e descubra o trilho de acesso ao mar, o que conduz à piscina exterior, ao centro de meditação e ainda à torre de observação de cetáceos. O enquadramento é de cortar o fôlego.

© Aldeia da Fonte

O círculo das sugestões completa-se regressando à Madalena. Mais concretamente ao projeto Pocinho Bay, que oferece seis quartos e duas suítes, com jacuzzis exteriores entre currais vulcânicos. Debruçada sobre o Atlântico, os 13 hectares onde a villa está integrada situam-se em pleno coração da zona protegida da vinha do Pico. Daqui vê-se a ilha do Faial e azul a perder de vista.

© Pocinho Bay
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