Os cadernos de encargos para uma nova geringonça

PCP rejeita acordos escritos e prefere acordos pontuais tendo em conta avanços em matérias como salários e pensões. Bloco quer reversão de medidas laborais da troika e mais investimento na saúde. PS avisa que “contas certas” são para continuar.

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Mário Cruz/Lusa

Os discursos de António Costa (PS), Catarina Martins (BE) e Jerónimo de Sousa (CDU) na noite eleitoral mostraram as matérias sobre as quais terá de haver negociação para que a ‘geringonça’ seja reeditada na próxima legislatura – embora desta vez haja dúvidas sobre a possibilidade de haver acordos escritos entre os partidos.

Do lado do PCP, Jerónimo de Sousa frisou que há condições para que António costa seja indigitado primeiro-ministro mas sublinhou também que eventuais soluções governativas deverão ser feitas “sem compromissos formais” – o PCP quer acordos pontuais em função dos avanços em matérias específicas.

E enumerou vários pontos que o partido vai levar para a mesa das negociações, entre as quais o aumento do salário mínimo para 850 euros, aumento das pensões , creches gratuitas para todas as crianças até aos três anos, construção de habitação pública  e investimento no Serviço Nacional de Saúde.

Catarina Martins mostrou-se mais flexível e com disponiblidade quer para acordos pontuais, sem compromissos escritos para a legislaura, quer para entendimentos formais para quatro anos.

Em termos de medidas e opções polítcias, a intervenção da líder do Bloco foi clara. Por um lado,  “defender quem vive do seu trabalho em Portugal, desde logo repondo os cortes que foram feitos na Troika e que ainda estão na legislação laboral”, com a reposição dos dias de férias e das compensações por despedimento”. O Bloco quer também mais investimento público, nomeadamente para “salvar o serviço nacional de saúde”, bem como a recuperação adicional de salários, pensões e direitos.

Quanto à possibilidade de integrar o Governo numa coligação, “essa matéria está fora de questão”, disse Catarina Martins. “A vitória do PS é expressiva, o PS tem todas as condições para fazer um governo. O BE estará no parlamento com mandato que foi conferido, a lutar intransigentemente pelos compromissos que fizemos desde o início com toda a disponibilidade para negociar”.

As linhas vermelhas de Costa

Mas António Costa fez questão de frisar que o PS também tem linhas vermelhas, e que foi o PS que mais saiu reforçado destas eleições: “Não são só os outros que têm cadernos de encargos, nós também temos”.

O secretário-geral do PS sublinhou que “ninguém tem dúvidas de que o equilíbrio desta solução de governo só foi possível graças ao PS”, reiterando que vai continuar o caminho das “contas certas”, com o controlo do défice público e a redução da dívida pública, sem pôr em causa a participação de Portugal no projeto europeu.

“Ninguém tenha dúvidas de que a força essencial de dizer sim ou não é o que impõe o interesse nacional. Se o interesse nacional se impuser, diremos não, qualquer que seja a consequência que retirem da nossa proposta”.

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