As incertezas geopolíticas têm levado os investidores a apostar no ouro, como um ativo de refúgio, tendo esta matéria-prima atingido novos valores históricos, de 4,900 dólares por onça.
Desde 2024 e até à data esta matéria já valorizou mais de 140%, e continua a subir. Para os analistas os principais motores a alimentar este rally são a “desvalorização da moeda (USD), a perda de confiança nas instituições e a persistente incerteza geopolítica (aumentando com a questão da Gronelândia, Venezuela e Irão)”.
“Não obstante, há outros fatores que também têm apoiado estas subidas, tais como, as taxas reais (que é o fator mais importante no ouro). O ouro é muito sensível às taxas de juro reais (juros – inflação) e mesmo que os juros nominais estejam altos, se a inflação esperada sobe, ou se o mercado antecipa cortes, o ouro tende sempre a antecipar tais movimentos”, explica o analista da XTB, Henrique Tomé.
Outro fator que também tem estado a contribuir para a valorização do ouro são as compras por parte dos bancos centrais, “sobretudo as economias emergentes que têm procurado o ouro como forte de diversificação das suas reservas, redução da dependência do dólar americano e, também para conseguirem usar o metal como hedge geopolítico, visto que o ouro é considerado um ativo de refúgio”, refere.
Para o analista Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades, os “investidores estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a Europa, na sequência de uma postura mais agressiva de Washington relativamente ao controlo da Gronelândia e das tentativas europeias de fazer frente a essa posição. Esta dinâmica resultou, até agora, numa escalada de retórica hostil de ambos os lados, interpretada pelos traders como um sinal de que a situação poderá deteriorar-se. Tal tem alimentado uma maior procura por ouro, o ativo de refúgio por excelência, ao mesmo tempo que reaviva a chamada estratégia de “vender a América”, pressionando o dólar em baixa”.
As perspetivas futuras para esta matéria-prima estão associadas ao desenvolvimento das tensões geopolíticas, sendo que caso “os atuais fatores se mantiverem inalterados, ou se porventura os riscos geopolíticos se intensificarem ainda mais, então poderemos assistir a uma subida ainda maior dos preços”, salienta Henrique Tomé.
Contudo, o analista salienta que “assim que existirem menos riscos de incerteza no mercado, muitos investidores (instituições financeiras e retalho) poderão começar a realizar mais valias, o que pode colocar os preços do metal expostos a alguma volatilidade de curto prazo”.
Mercados europeus reduzem perdas
Depois de dois dias a registar elevadas perdas, os mercados europeus fecharam a sessão de quarta-feira com um ligeiro ânimo, registando perdas mais ligeiras.
Os investidores estiveram centrados nas declarações de Donald Trump em Davos, onde excluiu o uso de força para adquirir a Gronelândia. Contudo, afirmou que “nenhuma nação ou grupo de nações está em condições de defender a Gronelândia, sem ser os EUA”.
O presidente continua sem desistir da integração da Gronelândia nos Estados Unidos, afirmando que “não podemos defender a Gronelândia como se fosse um contrato de ‘leasing’, precisamos de ter o controlo”.
“Provavelmente não vamos conseguir nada a não ser que eu decida fazer uso excessivo de força e aí seríamos, francamente, imparáveis. Mas eu não vou fazer isso”, salientou.
Esta mensagem teve um impacto nos mercados, tendo apaziguado os receios dos investidores.
Esta quinta-feira vamos conhecer o PIB norte-americano no terceiro trimestre.
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