PAN e PS voltam a reunir-se na próxima semana para saber se “existem condições para haver maior convergência”

“Continuaremos a aprofundar a convergência com o PS”, garantiu André Silva após a reunião com a comitiva do PS que anda a fazer um périplo pelas sedes de vários partidos à procura de estabelecer pontes de entendimento para a próxima legislatura.

A reunião entre o PAN e o Partido Socialista acabou sem conclusões. Os dois partidos vão voltar a reunir-se na próxima semana para tentarem encontrar pontos comuns de entendimento para a próxima legislatura.

“O PAN está interessado em aprofundar a relação com todos os partidos. Não damos por finda [as conversações], vai haver mais uma reunião na próxima semana para sabermos se existem condições para haver maior convergência. Continuaremos a aprofundar a convergência com o PS”, disse o dirigente do PAN esta quarta-feira, 9 de outubro, após a reunião com o PS, incluindo com o primeiro-ministro indigitado, António Costa.

“O PAN sempre foi um ator à procura de estabilidade. Apesar do peso específico do PAN, isso não nos impediu de ter uma postura pró-ativa. É isso que vamos continuar a fazer”, afirmou André Silva.

Questionado pelos jornalistas sobre se o PAN apoiaria uma eventual moção de censura ao PS no Parlamento no futuro. “Não sei o que vai acontecer no futuro. Moções ou propostas dessa natureza fazem sentido em determinados contextos políticos. Neste momento, não faz sentido estarmos a falar”.

Antes de partilhar as conclusões desta reunião, o primeiro-ministro felicitou o PAN por ser o único partido, para além do PS, a reforçar a sua presença parlamentar nestas eleições. “A conversa foi muito util para identificar a vontade comum de aprofundar a nossa relação. Já ao longo desta legislatura pontualmente esses contactos existiram e foram sempre positivos”, afirmou António Costa.

“Há um conjunto de matérias sobre os quais é possível trabalharmos para podermos convergir, há outras sobre as quais temos posições bastantes distintas e onde não há condições para podermos convergir”, confessou o primeiro-ministro indigitado, anunciando que na próxima semana ambos os partidos vão se reunir com o objetivo de aprofundar os temas que foram discutidos esta manhã. “Vamos analisar se se pode traduzir num novo acordo nesta legislatura”, sublinhou.

“O mais importante é que ficou claro é que não haverá uma moção de rejeição apresentado pelo PAN e que há uma vontade que haja uma estabilidade política ao longo dos próximos quatro anos”, reafirmou António Costa à saída da sede do PAN. “Saí desta reunião que na próxima legislatura poderá ser possível fazer mais do que aquilo que foi feito na legislatura anterior”.

Depois de visitar o Livre e o PAN, a equipa do PS vai reunir-se pela tarde com Os Verdes às 14h30, o PCP às 16 horas e com o Bloco de Esquerda às 18 horas.

A comitiva de negociação do PS é composta por António Costa, Carlos César, Ana Catarina Mendes e Duarte Cordeiro, avançou o Observador. Pelo Bloco de Esquerda, a equipa é composta por Catarina Martins, Pedro Filipe Soares, Mariana Mortágua e Jorge Costa.

Na reunião anterior, o Livre garantiu que está disposto a dialogar com o Governo de António Costa. “Isto foi o inicio de um diálogo que consideramos absolutamente necessário à esquerda. valorizamos imensamente a visita do primeiro-ministro”, começou por dizer a deputada eleita pelo Livre, Joacine Katar Moreira, ao lado do dirigente do partido, Rui Tavares.

“É absolutamente necessário que haja uma convergência [à esquerda], e defendemos e estamos disponíveis a participar numa união a esquerda”, garantiu.

“Iremos contribuir, negociar e dialogar com o objetivo que este Executivo cumpra os quatro anos de legislatura”, declarou Joacine Katar Moreira.

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Uma comitiva do PS, liderada pelo primeiro-ministro indigitado, está à percorrer as sedes parlamentares de partidos mais à esquerda com o objetivo de negociar acordos ou entendimentos para a próxima legislatura.
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