As autoridades turcas rejeitaram os planos israelitas de construir milhares de novas unidades habitacionais na Cisjordânia, afirmando que a medida viola o direito internacional e impede a solução de dois Estados. O plano de construção para a área E1 da Cisjordânia separará Jerusalém Oriental do resto do território e representa um duro golpe para a solução de dois Estados e as esperanças de uma paz duradoura na região.
Numa declaração contundente, o Ministério das Relações Exteriores disse que o projeto viola flagrantemente o direito internacional e as resoluções das Nações Unidas, ao mesmo tempo em que visa a integridade territorial do Estado da Palestina. “A aprovação deste plano desconsidera a solução de dois Estados e prejudica as perspetivas de uma paz justa e duradoura na região”, disse o Ministério, acrescentando que estabelecer um Estado palestiniano independente e soberano dentro das fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como capital e plena continuidade territorial, continua a ser a única forma de alcançar a paz.
O Ministério enfatizou que a Turquia continuará a apoiar “a causa justa e a luta inabalável do povo palestiniano” diante da expansão ilegal dos colonatos e da ocupação contínua de Israel.
O presidente do Parlamento turco, Numan Kurtulmuş, também reagiu, dizendo que a Turquia rejeita esta decisão “ilegal”. “O plano traiçoeiro de ocupação de Israel para dividir a Cisjordânia de Jerusalém Oriental é um ataque flagrante que ignora o direito internacional e as resoluções das Nações Unidas, mina a integridade territorial da Palestina e faz parte de um esquema genocida”, disse.
Também a União Europeia, o Reino Unido e as Nações Unidas mostraram opor-se ao plano do governo israelita para a construção de mais de três mil casas em território da Cisjordânia. O anúncio foi feito pelo ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, de extrema-direita, que afirmou que a concretização do projeto “enterraria” de vez a ideia de um Estado palestiniano.
Em reação à medida, Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia, apelou a Israel para que suspendesse a construção de novos colonatos, sublinhando que o avanço do plano de colonatos E1 põe em risco a solução de dois Estados e constitui uma violação do direito internacional. A Comissão Europeia, em conferência de imprensa, reiterou que qualquer alteração territorial fora de um acordo entre as partes envolvidas é ilegal. “Os colonatos são ilegais e devem ser interrompidos”, afirmou a porta-voz da Comissão, Anitta Hipper, citada pela agência Euronews.
O Reino Unido, através do seu Ministério dos Negócios Estrangeiros, expressou também a sua preocupação, condenando o plano israelita e alertando para o impacto negativo que este teria nas perspetivas de paz na região.
A ONU, por sua vez, já se tinha pronunciado anteriormente, considerando os colonatos uma violação clara do direito internacional e um dos principais obstáculos à paz entre israelitas e palestinianos.
O projeto E1, que está congelado há décadas devido à oposição internacional, poderá agora avançar, separando Jerusalém Oriental do resto da Cisjordânia, dificultando a criação de um futuro Estado palestiniano. Para os críticos, a medida não só representa uma violação das resoluções internacionais, como também impede qualquer perspetiva de uma solução justa e duradoura para o conflito israelo-palestiniano.
A decisão de avançar com o plano de construção de colonatos em E1 representa um ponto de inflexão na política israelita, que continua a ser bastante criticada no plano internacional, enquanto as perspetivas de resolução do conflito permanecem incertas.
A área E1, um trecho de terra a leste de Jerusalém, é há muito vista por autoridades palestinianas e grupos de direitos humanos como um elo crucial entre as partes norte e sul da Cisjordânia. A construção de colonatos ali é amplamente vista como uma “linha vermelha” que tornaria impossível um Estado palestiniano viável e contíguo.
Observadores internacionais alertaram repetidamente para que estes planos de expansão não apenas violam as obrigações de Israel sob o direito internacional, mas também inflamam as tensões e fortalecem ainda mais sua ocupação de terras palestinas.
A expansão dos assentamentos e a apropriação de terras por Israel na Cisjordânia intensificaram-se significativamente. De acordo com a ONG israelita Peace Now, as apropriações de terras no primeiro trimestre de 2025 já ultrapassaram o total de todo o ano de 2024. Atualmente, mais de 451 mil colonos israelitas residem na Cisjordânia e outros 230 mil em Jerusalém Oriental. Estes colonos vivem sob a lei civil israelita, enquanto aproximadamente quatro milhões de palestinianos na Cisjordânia permanecem sob o domínio militar do Estado hebraico.
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