Politécnico de Castelo Branco leva digitalização à floresta

Parceria entre o politécnico albicastrense e a empresa Cutplant, fabricante de maquinaria da marca Vicort, lança projeto tecnológico aplicado à floresta. Tem a duração de 31 meses, conta com um investimento de 1,608 milhões de euros e envolve o INESC-TEC, a FEUP e a UTAD. Objetivo? Desenvolver produtos mais evoluídos que permitam à empresa da Sertã marcar posição no mercado.

No Politécnico de Castelo Branco ganha vida um projeto tecnológico na área da gestão da floresta, liderado pelos investigadores Pedro Torres, Luís Farinha e Rogério Dionísio. Resulta de uma parceria com a empresa Cutplant Solutions, tem a duração de 31 meses e um investimento de 1,608 milhões de euros.

O nome mais parece um código: SMARTCUT – Diagnóstico e Manutenção Remota e Simuladores para Formação de Operação e Manutenção de Máquinas Florestais. Mas os objetivos são claros, conforme explicam os investigadores ao JE Universidades: “Foca-se na conceção e desenvolvimento de uma solução de sensorização de equipamentos florestais, que permita a execução de tarefas de telediagnóstico, telemanutenção e monitorização da floresta pela empresa produtora dos equipamentos ou dos seus representantes, em cada país de atuação”.

A Cutplant Solutions SA, nascida na Sertã e sediada na Zona Industrial de Castelo Branco, fabrica maquinaria florestal, sendo detentora da conhecida marca Vicort. Em conjunto com o Politécnico, a empresa está à procura de “desenvolver produtos tecnologicamente mais evoluídos e, por sua vez, marcar posição de mercado face aos seus concorrentes”.

A parceria teve início com um primeiro contacto do Politécnico, que, após o levantamento das necessidades por parte da empresa, procurou os parceiros estratégicos essenciais à implementação do projeto. Encontrou-os no INESC TEC – Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

Um total de 23 pessoas estão envolvidas. Além dos três investigadores residentes, a equipa integra: Miguel Melo, Filipe Santos, Cláudia Rocha e António Gaspar do INESC-TEC, Gil Gonçalves, Fernando Lobo Pereira, Cláudio Monteiro e Maria Margarida de Amorim Ferreira da FEUP, e Maximino Bessa, José Vasconcelos Raposo, Luís Barbosa, Galvão Meirinhos, Vasco Amorim e José Boaventura, da UTAD. Já a Cutplant adjudicou ao projeto uma equipa técnica constituída por: Ricardo Nunes Martins, Miguel Ferreira, Tiago Mateus, Bruno Cardoso, Melo Júnior e Paulo Nunes.

Castelo Branco é um distrito predominantemente rural e que tem na floresta uma das suas riquezas. Embora a solução que vier a sair de SMARTCUT se destine à Cutplant, o projeto além disso. Pedro Torres, Luís Farinha e Rogério Dionísio explicam o alcance: “permitirá à Cutplant incorporar nos seus produtos tecnologias inovadoras de grande valor acrescentado, traduzindo-se num aumento da competitividade do sector, especialmente para as empresas sediadas na região”. Da parte do Politécnico, acrescentam, reflete “mais um passo em frente” na sua missão de “cooperar com a indústria regional e com os principais players de desenvolvimento tecnológico”.

Os investigadores também estão envolvidos na conceção e desenvolvimento de uma ferramenta de autoria de cenários de treino virtuais. “Esta inovação – explicam – irá tirar partido de um simulador físico/emulador para recriar, via realidade virtual, a operação e as condições de avaria dos equipamentos e, simultaneamente, as características orográficas e físicas encontradas no terreno”. A criação de “gémeos digitais”, tornará possível “testar e validar novos produtos antes da sua produção”, bem como “auxiliar na formação de novos operadores e na manutenção remota de equipamentos pós-venda”.

Os principais fabricantes internacionais de maquinaria já incorporam nos seus equipamentos vários tipos de sensores que permitem, por exemplo, recolher informação relevante sobre a floresta, como a densidade florestal; sobre a performance da máquina, nomeadamente a posição da máquina e a percentagem de tempo em operação; e sobre o progresso das operações florestais, isto é, sobre o tipo de madeira cortada e estimativa do volume. Em Portugal será uma novidade. E para a Cutplant um trunfo. “Torna-se premente dotar os equipamentos Vicort destas funcionalidades para a sua afirmação no mercado”, adiantam os investigadores do Politécnico de Castelo Branco ao JE.

SMARTCUT é um projeto a pensar na floresta do futuro, FLORESTA 4.0, que já é uma realidade dada a necessidade de implementar as melhores práticas de gestão da floresta.

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