É uma rota vital para o comércio mundial de petróleo e de gás, mas foi cortada pelo Irão como forma de pressionar os EUA a pararem com os ataques ao país.
Por aqui passava 20% do comércio mundial de petróleo e de gás e os preços já dispararam.
Pior: um terço dos fertilizantes consumidos em tudo o mundo cruciais para a produção alimentar são produzidos na região e exportados via estreito de Ormuz, colocando em risco a segurança alimentar global.
O barril de petróleo cai hoje 3% para cerca de 100 dólares. O petróleo já subiu quase 50% no espaço de um mês e 70% no espaço de três meses.
A questão é crucial neste momento da guerra: porque é que é tão difícil reabrir o estreito de Ormuz?
Para começar, o canal de navegação neste estreito conta apenas com duas milhas náuticas de largura (3,7km).
Depois, na zona de viragem dos navios há várias ilhas iranianas, sendo a maior Qeshm, com uma delas a ser a ilha de Ormuz, onde existem as ruínas da fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, edificada pelos portugueses que andaram por ali há 500 anos (Afonso de Albuquerque conquistou a ilha duas vezes).
Em terceiro, a costa iraniana conta com montanhas que servem de refúgio às forças iranianas, escreve a “Reuters”.
Apesar de a marinha de guerra ter sido destruída em grande parte, a Guarda Revolucionária ainda conta com várias opções: lanchas rápidas, mini-submarinos, minas e até jet skis carregados de explosivos.
Além do mais, Teerão conta com a capacidade de produzir 10 mil drones por mês, dando-lhe poder de fogo aéreo para resistir a invasões ou para conseguir manter o canal fechado.
Seria possível começar a escoltar navios? Por dia, seria possível escoltar três a quatro navios usando sete ou oito contratorpedeiros, com apoio aéreo. Apesar de existir o risco dos mini-submarinos atacarem, é possível manter esta operação no curto prazo. Mas manter isto durante meses, iria exigir mais recursos, destaca Tom Sharpe, antigo comandante da Royal Navy.
Mesmo se for eliminada a capacidade do Irão de disparar mísseis balísticos, drones ou minas flutuantes, os navios ainda enfrentariam a ameaça de operações suicidas.
Sobre o (não) apoio dos aliados nesta missão naval, admitiu que algumas nações “não estão entusiasmadas” para participar. “Queremos que venham e ajudem-nos no estreito”, disse o líder dos EUA que tem sido um grande crítico do multilateralismo, mencionando a Europa, China, Japão e Coreia do Sul.
Desde o início da guerra que as forças armadas dos EUA destruíram 30 navios lança-minas, mas ainda não é certo quantas minas existem no estreito.


Agência Internacional de Energia disposta a libertar mais petróleo
A Agência Internacional de Energia (IEA) está disposta a libertar mais reservas de petróleo para tentar conter os preços que já estão acima dos 100 dólares por barril.
“A ação rápida da IEA teve um efeito calmante nos mercados. Mas enquanto os nossos stocks podem providenciar uma almofada por agora, não é uma solução duradoura”, disse esta segunda-feira o diretor da agência Fatih Birol.
A reabertura do estreito de Ormuz é a “coisa mais importante” para os mercados mundiais de petróleo e de gás, segundo o responsável, citado pela “Bloomberg”.
Na semana passada, mais de 30 países (coordenados pela IEA) acordaram em libertar 400 milhões de barris de petróleo, o equivalente a… quatro dias de consumo global.
Os mercados não ficaram impressionados. O preço voltou a disparar e regressou novamente aos mais de 100 dólares por barril no final da semana passada.
A guerra dos EUA/Israel-Irão entra na sua terceira semana, mas sem fim à vista.
O governo israelita disse hoje que tem planos para mais três semanas de guerra depois de bombardeamentos ao Irão durante a noite, com os drones iranianos a atacarem o aeroporto do Dubai e uma infraestrutura energética nos Emirados Árabes Unidos.
O presidente norte-americano pediu ajuda aos aliados para reabrir o estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo e gás consumido em todo o mundo.
Mas pode ser um desejo difícil de alcançar, pois Teerão tem usado drones, mísseis e minas para tornar o estreito impossível de transitar.
Os aliados dos EUA não estão dispostos a serem arrastados para a guerra. Os países da União Europeia estão com muitas reticências em deslocarem uma missão naval do Mar Vermelho para o Golfo Pérsico para garantir passagem a petroleiros e metaneiros.
No Japão, também não há planos para aderir, assim como no Reino Unido.
“Não queremos ser chantageados”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros do Luxemburgo, Xavier Bettel.
O mundo já está a viver o maior corte de abastecimento de energia de sempre. Neste momento, 20% do fornecimento global de petróleo foi interrompido depois de o Irão ter bloqueado o estreito do Ormuz. O recorde anterior com 70 anos foi pulverizado: na crise do Suez em 1956 quando ‘apenas’ 10% foi cortado.
O Ayatollah Mojtaba Khamenei já avisou que o estreito de Ormuz vai permanecer fechado como “ferramenta de pressão” enquanto os ataques dos EUA-Israel continuarem.
Os mercados estão a apostar cada vez numa guerra prolongada que “cause extensos danos económicos”, disseram os analistas do Deutsche Bank.
Já a Guarda Revolucionária do Irão voltou a avisar que prepara-se para “deitar fogo” ao setor regional de petróleo e gás se continuar a ser atacado.
A guerra EUA-Irão pulverizou o recorde anterior quando em 1956, o Reino Unido, França e Israel invadiram a Península do Sinai no Egipto. Na altura, havia 35% de produção disponível no resto do mundo para colmatar a quebra, contra os zero por cento agora registados. Os dados são da Rapidan Energy citados pela “CNBC”.
Olhando para o embargo dos países árabes às exportações em 1973, que provocou o famoso choque petrolífero, apenas 7% do fornecimento foi cortado. Outras crises como a Revolução Iraniana (78/79) ou a primeira guerra do Golfo (90/91) cortaram menos de 10% do fornecimento global cada uma.
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