Portugal capta 63 milhões da UE para o espaço em sete anos

ANI acompanhou 43 projetos, no Portugal 2020. Portugal coordena 13 projetos internacionais com mais de 30 milhões de investimento.

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Os projetos da indústria aeroespacial portuguesa já angariaram um total aproximado de 63 milhões de euros, pelo menos, revelou a presidente da Agência Nacional de Inovação (ANI), Joana Mendonça, ao Jornal Económico (JE).

O valor corresponde aos 43 projetos da indústria aeroespacial que a ANI acompanhou entre 2014 e 2021, ajudando-os a conseguir o financiamento de fundos europeus no âmbito do Portugal 2020.

“O investimento mais do que duplicou face ao anterior programa-quadro (2007-2013)”, sublinha Joana Mendonça ao JE.

Os projetos e o volume de investimento registado refletem a importância da atividade aeroespacial para o país. A presidente da ANI salienta que a indústria aeroespacial “tem crescido muito” nas últimas duas décadas, desde que Portugal é membro da Agência Espacial Europeia (ESA, sigla anglo-saxónica). Mas é agora que a indústria vive, “provavelmente, uma das alturas mais interessantes”, com “uma dinâmica que se traduz numa presença internacional relevante”, segundo Joana Mendonça.

Lá fora, a indústria aeroespacial nacional está em “crescente afirmação” com o país a coordenar 13 projetos internacionais financiados pelo Horizonte 2020. A presidente da ANI refere que nos projetos internacionais liderados por Portugal encontram-se 84 participações de entidades nacionais, cujo financiamento oriundo das verbas europeias já é supera os 30 milhões de euros.

Desafiada a destacar alguns projetos desenvolvidos em Portugal, Joana Mendonça faz a ressalva de que “há, neste momento, diferentes projetos de interesse em curso, muitos deles baseados em inovação colaborativa, envolvendo diferentes empresas, centros de I&D ou de interface e instituições do ensino superior”. A líder da ANI, contudo, não rejeita o desafio e resume “alguns projetos de maior dimensão”.

 

Viriato
Joana Mendonça começa por destar o projeto Viriato, cujo objetivo é desenvolver a capacidade de fazer lançamentos de microssatélites a partir de Portugal. Com um financiamento de quatro milhões de euros, o Viriato é “liderado pela Omnidea com um consórcio de 13 entidades, incluindo empresas, instituições de ensino superior, centros de investigação e interfaces, que trabalham em áreas como propulsão, aviónica e estruturas e equipamentos de suporte a operações”, detalha.

 

PASSARO
Outro exemplo é o projeto internacional PASSARO, coordenado pela portuguesa Caetano Aeronautic S.A e financiado em cerca de 5,7 milhões de euros através do Horizonte 2020. O objetivo é “contribuir para o desenvolvimento de aeroestruturas multifuncionais e inteligentes, mais leves, resistentes e com alto nível de proteção e conforto”.

 

EUA e instituições de interface
A dirigente da ANI lembra também dois projetos que estão a ser desenvolvidos por entidades portuguesas em parceria com a Universidade de Austin, no estado do Texas, EUA. Tratam-se dos projetos UPGRADE e MAGAL Constellation. O primeiro incide sobre a “observação da Terra, comunicações, monitorização de território, execução de missões no espaço cislunar e interplanetário”, enquanto o segundo projeto tem “impacto na monitorização dos oceanos”.

“No âmbito do ecossistema português de inovação, é ainda de realçar o papel que instituições de interface poderão desempenhar ao nível do desenvolvimento da cadeia de valor e envolvimento agregado do sector aeroespacial. Neste contexto, os Centros de Interface (CIT) e os Laboratórios Colaborativos (CoLAB) participam já em 62% dos projetos de I&D do Portugal 2020 no sector, com cerca de 26% do investimento”, acrescenta.

 

E os resultados?
Elencados alguns exemplos, Joana Mendonça realço ao JE, contudo, que o sucesso dos projetos está dependente da resposta aos “imensos desafios” da indústria que, tendo em conta a sua natureza “e a grande dinâmica internacional” que há.

Por isso, a presidente da ANI diz que, quanto a resultados dos investimentos realizados em diferentes projetos, “demora anos” até que sejam “visíveis”. Não obstante, garante que “o atual crescimento e posicionamento competitivo do sector em Portugal” verifica-se mesmo, como “resultado da aposta em inovação e em I&D e nos recursos humanos altamente qualificados”.

Questionada ainda se o contexto pandémico veio colocar entraves ao desenvolvimento da indústria aeroespacial em Portugal, Joana Mendonça generaliza: “A pandemia teve impacto em toda a sociedade e em todas as atividades económicas, sendo ainda difícil avaliar as verdadeiras consequências em cada sector. Acreditamos que a aposta em tecnologia e recursos humanos qualificados possa contribuir para mitigar eventuais impactos negativos na dinâmica de inovação no sector”.

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