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Portugal é o rei da Europa a fabricar bicicletas

Há uma indústria em que Portugal lidera na Europa: a produção de bicicletas. São 2,3 milhões por ano com destino à Europa. País atinge recorde de vendas. Mas será que vão voltar a crescer? É preciso que o tempo esteja bom.
@Pixabay
13 Março 2026, 07h23

Amesterdão é conhecida por ter milhares de bicicletas a circular por todo o lado. Os Países Baixos contam mesmo com mais bicicletas do que pessoas (seis milhões a mais). Mas se os neerlandeses são reis a pedalar, é numa cidade portuguesa com 50 mil habitantes que é fabricada uma boa parte das bicicletas que rodam pelas cidades e estradas de toda a Europa.

Portugal é mesmo o rei europeu na produção de bicicletas São 2,3 milhões produzidas no país por ano que seguem depois lá para fora.

“Portugal é o maior montador de bicicletas da Europa. Como grande fabricante, é uma referência”, diz ao Jornal Económico Gil Nadais, presidente da Abimota (Associação Nacional das Indústrias de Duas Rodas).

A indústria nacional conta com um cluster na zona de Águeda, distrito de Aveiro, mas também há empresas em Anadia, Aveiro ou Gaia.

As vendas para o estrangeiro atingiram mesmo um valor recorde em 2025: 777 milhões de euros, mais 4% face a 2024. Do total, 95% da produção segue para exportação com destino à Europa: Espanha, França e Alemanha são os mercados em destaque.

As grandes cadeias desportivas estão entre os principais clientes. Da zona de Águeda, saem todos os anos mais de um milhão de bicicletas para serem vendidas pela francesa Decathlon.

Além das bicicletas em si, o país também é especialista a produzir componentes para as duas rodas: “as empresas portuguesas são vistas na Europa como fornecedores de qualidade para bicicletas”, aponta Gil Nadais.

A nível global, o ‘Reino das bicicletas’ é o maior produtor. Das fábricas chinesas saem mais de 120 milhões de bicicletas por ano, sendo responsável por 60% da produção mundial.

O crescimento das vendas em 2025 é visto pela associação setorial como uma recuperação do mercado após dois anos de “retração global” na procura.

É que além da economia, o setor também está muito dependente das condições metereológicas.
“Nos dois anos anteriores, o centro da Europa foi assolado com muita chuva, muitas tempestades. Como tal, tivemos muitos problemas porque ninguém compra uma bicicleta para utilizar com chuva. É preciso bom tempo. Esperamos que assim continue este ano, porque depois do tempo de chuva dá vontade de dar uma voltinha de bicicleta. E é nessa altura [primavera] que se fazem mais compras.”

Para 2026, “com a volatilidade que temos, previsões só no fim do jogo.”
O setor tem um novo centro tecnológico para “apoiar o desenvolvimento do setor das bicicletas”: o Bikinnov – Bike Value Innovation Center, em Águeda.

As bicicletas elétricas são agora a maior inovação: “têm vindo a ganhar peso e são importantes sobretudo na faturação porque são bastante mais caras do que uma bicicleta convencional.”

O amor de Portugal pelo ciclismo ajudou o país a conquistar duas medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris (Iúri Leitão e Rui Oliveira) na prova de Madison, com Iúri Leitão a ganhar mais uma medalha de prata na prova de Omnium, depois de ter deixado o seu adversário direto recuperar, não se aproveitando da sua queda, demonstrando grande desportivismo.

Gil Nadais considera que as medalhas ao mais alto nível no ciclismo são importantes para a indústria nacional. “É uma montra. Claro que ajuda. O que tem de ser feito com o centro tecnológico é aproximar a competição da tecnologia para podermos caminhar par a par.”

O recorde anterior de exportações foi atingido em 2022, com mais de 772 milhões de euros de vendas ao exterior. Em 2025, o melhor mês de vendas foi julho (87 milhões), seguido de maio (82 milhões) e setembro (78 milhões).


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