Portugal paga taxas menos negativas para emitir 1.250 milhões de dívida a curto prazo

No último leilão de Bilhetes do Tesouro do ano e um dia antes do pagamento antecipado de dois mil milhões de euros aos credores europeus, Portugal emitiu o montante máximo pretendido.

Portugal pagou taxas menos negativas para emitir dívida a curto prazo do que no último leilão, com uma emissão dupla de Bilhetes do Tesouro (BT) a três e 11 meses. Num leilão duplo, esta quarta-feira, o IGCP- Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública emitiu 1.250 milhões de euros, o montante máximo pretendido.

O Tesouro colocou 900 milhões de euros em dívida a 11 meses, tendo pago uma taxa média ponderada de -0,45%, que compara com os -0,557%, registados no último leilão. A procura superou a oferta em 1,74 vezes.

Nas BT a três meses, o IGCP emitiu 350 milhões de euros, com uma yield de -0,475%, face aos -0,563%, registados no leilão de agosto, tendo a procura superado a oferta em 3,66 vezes.

O leilão de dívida a curto prazo ocorre um dia antes do Governo fazer o reembolso antecipado de dois mil milhões de euros ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) pelos empréstimos concedidos durante a intervenção da ‘troika’ e após o Governo ter enviado para Bruxelas o esboço do Orçamento do Estado para 2020.

Esta segunda-feira, a presidente do IGCP, Cristina Casalinho, disse que os mercados reagiram positivamente ao resultado eleitoral das legislativas. “Os contactos que tive [com investidores] não pronunciam um nível de preocupação com a situação política portuguesa. A configuração do resultado eleitoral não parece ter suscitado grandes preocupações”, referiu.

“Portugal volta a registar taxas de juros negativas dos leilões de dívida de curto prazo, movimento que está em sintonia com o que tem acontecido com toda a dívida soberana europeia, e perto dos mínimos históricos alcançados nos leilões do mês de agosto quando o mercado de dívida registou máximos de sempre”, destaca de Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa. “A política monetária expansionista do BCE continua a influenciar as taxas de juro negativas de grande parte da dívida pública dos países europeus, taxas essas que deverão manter a tendência negativa condicionadas pelo abrandamento económico”, conclui.

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Presidente do IGCP destacou que existe uma “boa evidência empírica do nível de preocupação” com as taxas de juro portuguesas, que na semana passada negociaram no mercado secundário em várias maturidades em níveis mais baixos do que Espanha.

Portugal paga reembolso antecipado de dois mil milhões de euros esta quinta-feira

Apesar de admitir que do ponto de vista da gestão da dívida portuguesa “pode haver” condições para mais pagamentos antecipados, Cristina Casalinho explicou que os empréstimos europeus “não estão formatados para agilizar pagamentos antecipados” e “não têm vantagens tão esmagadoras” quanto os do FMI.
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