Portugal está a negociar o fim da quarentena com o Reino Unido

O Governo está a tentar que Londres levante as restrições, mas não avança com previsões sobre quando poderá acontecer. O Reino Unido é o maior mercado emissor para Portugal, com 20% dos turistas no país a terem origem neste mercado.

Portugal está em conversações com o Governo britânico para tentar convencer Londres a levantar as restrições aos viajantes com origem em Portugal, que são obrigados a um isolamento de 14 dias depois de chegarem ao Reino Unido.

“Temos estado em contacto com o Reino Unido, providenciando toda a informação requerida pelo Governo britânico”, disse a secretária de Estado do Turismo em entrevista à Bloomberg.

“Não temos certeza quando é que a decisão vai ser revista, mas não vamos retaliar”, assegurou Rita Marques.

O Reino Unido é o maior mercado emissor para Portugal, pesando 20% no total de turistas para o país. O turismo é um setor essencial para o país, sendo responsável por 15% da economia.

“Não acreditamos que a quarentena é a solução adequada. As pessoas devem ser testadas e se isso não for possível então deve cumprir as regras quando veem para Portugal”, afirmou.

“Acreditamos que agosto e setembro vão ser meses fortes, e vamos ver como corre em outubro e dezembro. A situação está sob controlo”, garantiu a governante.

A 24 de julho, o Governo português voltou a criticar o britânico por manter as restrições nos voos com origem em Portugal.

“O que combinei com o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico foi cumprido. Tivemos as reuniões indispensáveis, e trocamos a informação indispensável”, disse na altura o ministro dos Negócios Estrangeiros no Parlamento.

“A partir do momento em que as autoridades britânicas nos explicaram finalmente quais eram os cinco critérios que consideraram para as suas decisões, demonstramos que a situação epidemiológica portuguesa era muito positiva, designadamente: em relação à capacidade de testagem; quanto à taxa de letalidade; quanto ao índice de reprodução, o chamado R; quanto à capacidade de resposta do sistema de saúde; quanto ao numero de casos por 100 mil habitantes também demonstramos que esse numero de casos tem vindo a diminuir”, afirmou Augusto Santos Silva.

“Por isso, lamentamos que no fim a decisão tenha sido esta, sem fundamentação”, atirou o governante.

Lisboa diz que foi avisada ontem por Londres da manutenção das restrições, mas que, pela segunda vez, “não foram capazes de explicar os fundamentos científicos e técnicos da decisão”.

O ministro deixou uma mensagem para os portugueses que residem no Reino Unido: “Continuaremos a trabalhar incansavelmente para que eles possam vir passar férias a Portugal e fazer deslocações sem fazer quarentena”.

Para os 40 mil britânicos residentes Santos Silva disse que Portugal os “estima muito” e que tem “muito orgulho” que tenham escolhido o país para viver. “Tudo faremos que as suas deslocações entre Portugal e o Reino Unido se façam nas melhores condições possíveis”.

“Mais dia, menos dia, mais semana, menos semana, esperamos que a realidade se imponha, que os factos sejam conhecidos, que os dados sejam respeitados, e que a decisão seja revista”, concluiu.

 

 

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