Portugal paga taxa de juro mais alta para colocar Obrigações do Tesouro a 10 anos (com áudio)

O IGCP emitiu 625 milhões de euros em dívida com prazo de outubro 2027 e igual montante em obrigações com maturidade em 2030. Depois de ter conseguido uma taxa negativa a 10 anos em janeiro, Portugal pagou agora 0,237%, ubida das taxas da dívida soberana nacional, não estão associadas a um risco específico de Portugal, num movimento que os analistas dizem não estar associado a um risco específico do países, mas a uma tendência da dívida soberana europeia.

Cristina Bernardo

O IGCP – Agência de Gestão de Tesouraria e Dívida Pública emitiu esta quarta-feira um total de 1.250 milhões de euros em Obrigações do Tesouro (OT) a sete e a 10 anos, com a taxa de colocação na maturidade mais longa a voltar ao terreno positivo, depois de Portugal ter conseguido uma yield negativa no último leilão, uma subida que resulta do ambiente generalizado de aumentos de taxas nos mercados de dívida.

A agência liderada por Cristina Casalinho tinha estabelecido como um montante entre mil milhões e 1.250 milhões de euros.

Nas OT a 10 anos, com maturidade em outubro de 2030, Portugal conseguiu uma yield de 0,237%, depois de a 13 de janeiro de 2021, ter pago uma taxa negativa pela primeira vez nesse prazo, de -0,012%. No mercado secundário, as yield negoceia esta quinta-feira nos 0,267%.

Essa taxa da dívida benchmark nacional tem subido nas últimas semanas em linha com as pares na Europa e nos Estados Unidos, onde as treasuries a 10 anos negoceiavam esta quarta-feira nos 1,54%, tendo no dia anterior tocado nos 1,613%, máximos de 13 meses.

“A subida das taxas da dívida soberana nacional, não estão associadas a um risco específico de Portugal, mas sim a um movimento que estamos a assistir em toda a dívida soberana europeia”, sublinhou Filipe Silva, diretor de investimentos do Banco Carregosa, recordando que as taxas da dívida soberana alemã em janeiro estavam nos -0,60% subiram atualmente para os -0,299%.

“Este movimento está diretamente associado a algum otimismo que os mercados estão a tentar antecipar, relativamente à abertura das economias e ao processo de vacinação que se encontra a decorrer. As expectativas face a um maior crescimento económico, inflação mais elevada e retorno a uma normalidade económica, acabaram por justificar esta subida das taxas”, sublinhou.

Filipe Silva explicou que este movimento está a ser monitorizado pelos bancos centrais, uma vez que se o mesmo for muito acentuado, “poderá deitar por terra todas as expetativas criadas, tendo em conta o nível de endividamento dos países, empresas e particulares, que é elevado e, qualquer subida nas taxas acabará por se traduzir em custos mais elevados”.

O IGCP emitiu ainda 625 milhões em dívida com prazo de outubro 2027, tendo pago uma taxa de -0,086%. No mercado secundário a taxa da dívida portuguesa negociava esta quinta-feira nos -0,061%.

Na emissão a 10 anos, a procura superou a oferta em 2,32 vezes, o que compara com 3,02 vezes no leilão em janeiro. Na colocação das OT a sete anos, o rácio bid to cover foi de 2,57 vezes.

[Atualizada às 12h33]

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