O presidente da Reserva Federal norte-americana voltou à sua postura institucional e evitou novo confronto com Trump na primeira reunião do banco central este ano, que coincidiu também com a primeira reunião após a investigação movida pelo Departamento de Justiça este mês. Do lado macro, Powell frisou que os sinais de atividade económica melhoraram substancialmente, pelo que a economia parece estar a recuperar algum fôlego.
Na conferência de imprensa que se seguiu à decisão desta quarta-feira de manter os juros inalterados entre 3,5% e 3,75%, o presidente da Fed esquivou-se a qualquer comentário político, incluindo sobre a investigação de que está a ser alvo. Recorde-se que Jerome Powell tem sido alvo de ataques sucessivos do presidente Trump, incluindo sugestões de que será incompetente, corrupto e que seria despedido.
Questionado sobre a pressão que recai sobre si, Powell remeteu para o comunicado emitido a 11 de janeiro em que abandonou o seu tom tipicamente contido, acusando o Departamento de Justiça de agir motivado pelo desejo de Trump de ver as taxas diretoras mais baixas.
“Não tenho nada a dizer”, repetiu o banqueiro a diversas questões de carácter político. “Hoje é mesmo sobre a política monetária.”
Contudo, Powell sublinhou a importância da independência dos bancos centrais, numa clara alusão à fricção recente entre poder executivo e monetário. As “economias avançadas e democracias do mundo definiram esta prática comum” de manter “não ter legisladores eleitos definirem a política monetária”, que pode “ser usada para afetar a economia num ciclo eleitoral de forma politicamente favorável”.
Além disto, o líder da Fed explicou a sua presença no Supremo Tribunal esta semana a propósito do caso de Lisa Cook, membro do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) afastada por Trump. Powell considerou este “o caso legal mais importante da história de 113 anos da Reserva Federal”, pelo que a sua ausência seria “difícil de justificar”.
O Supremo Tribunal está a deliberar a legalidade do despedimento de Cook, que a Fed alega ser apenas possível com justa causa.
Atividade “melhorou claramente”
Do lado macro, Powell argumentou que a atividade económica tem “melhorado claramente desde a última reunião”, em dezembro, e reforçou a ideia de que o banco central “está numa boa posição” para lidar com a incerteza que permanece.
O voto para manter as taxas inalteradas não foi unânime, mas contou “com amplo apoio, incluindo de membros não votantes”. Quanto ao futuro imediato, continua a não haver sinais claros e o FOMC não quer “definir um limite a partir do qual cortamos [taxas]”.
Ainda assim, a inflação acima do objetivo parece ser fruto quase exclusivamente das tarifas, “o que é uma boa notícia”, explicou. Dado que o efeito das barreiras comerciais deve ser isolado (one-off), a expectativa é que se comece a ver uma desinflação em breve.
“A expectativa é que o efeito das tarifas nos preços atinja um pico e comece a cair a partir daí, assumindo que não há novas tarifas substanciais”, ilustrou. “Esperamos ver isso ao longo deste ano e, caso o vejamos, isso pode ser algo que nos diga para cortar taxas.”
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