[weglot_switcher]

Powell sob investigação parte para o ataque

Presidente da Fed mudou de postura, acusando Trump de o visar pela sua recusa em baixar taxas, e analistas e conselheiros da Casa Branca convergem: a perseguição a Powell será contraproducente.
18 Janeiro 2026, 16h10

A tensão entre Trump e Jerome Powell conheceu novo capítulo esta semana, com a investigação do Departamento de Justiça ao líder da Fed, renovando as preocupações do mercado com possíveis interferências políticas no banco central, mas a mudança de postura do banqueiro a lidar com a perseguição do presidente parece estar a dar resultados.

Após ser anunciada a investigação ao presidente da Fed a propósito do seu depoimento no Congresso sobre a derrapagem orçamental nas obras na sede do banco central, Powell abandonou a estratégia dos últimos anos para lidar com a Casa Branca e partiu para o ataque. O banqueiro emitiu no domingo um comunicado a reagir ao anúncio, argumentando que “a ameaça de acusações criminais é uma consequência de a Fed definir taxas com base na sua avaliação do melhor interesse do público, em vez de seguir as preferências do presidente”.

Os efeitos foram quase imediatos. Um grupo de líderes dos maiores bancos centrais ocidentais sublinharam também em comunicado a “integridade” de Powell, que tem estado, dizem, “focado no seu mandato e com um compromisso inabalável com o interesse público”; vários congressistas republicanos afastaram-se da investigação, reconhecendo que, apesar das discórdias com Powell, este não aparenta ter cometido um crime; e até alguns dos conselheiros de Trump o terão avisado de quão contraproducente será esta estratégia, segundo a Axios.
Powell já sublinhou várias vezes que não abandonará a presidência da Fed, cargo que deixará em maio, e poderá ficar no Comité de política monetária até 2028, evitando que Trump nomeasse um governador mais leal. Esta quarta-feira, o presidente afirmou à Reuters não ter qualquer intenção de despedir o banqueiro antes de maio.

Por outro lado, a pressa do 47º presidente em ver os juros diretores baixarem parece cada vez menos provável de ser cumprida. Os analistas da Gavekal consideram que só haverá cortes se estes “forem muito claramente justificados por um enfraquecimento do emprego ou subida da inflação”, pelo que, se fosse este o objetivo do presidente, deverá sair frustrado.

Mas poderá haver outros motivos, continua a nota da Gavekal. Em primeiro lugar, Trump poderá estar a tentar intimidar outros membros da Fed, em linha com a acusação movida a Lisa Cook, outra governadora investigada por alegada fraude; outra hipótese é que a Casa Branca está a tentar evitar que Powell se torne ‘presidente sombra’, dado que poderia manter a sua influência após abandonar a presidência, sobretudo se os restantes governadores virem o novo presidente como um fantoche político.

Outra possibilidade é Trump estar a procurar “encher” a Fed com decisores leais à sua pessoa, embora este cenário esteja sujeito a muitas condições, e a mais provável, na opinião dos analistas, é uma tentativa de desviar a atenção da atual crise do custo de vida nos EUA.

RELACIONADO

Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.