Presidente do Instituto Camões diz que 2020 foi marco da cooperação portuguesa em Cabo Verde

O presidente do instituto Camões, João Ribeiro de Almeida, afirmou hoje que 2020 foi “muito importante para a cooperação portuguesa em Cabo Verde”, com 27 projetos de apoio lançados e em curso, no valor de 2,3 milhões de euros. Segundo o responsável, que falava à Lusa à margem da inauguração do centro de hemodiálise do […]

O presidente do instituto Camões, João Ribeiro de Almeida, afirmou hoje que 2020 foi “muito importante para a cooperação portuguesa em Cabo Verde”, com 27 projetos de apoio lançados e em curso, no valor de 2,3 milhões de euros.

Segundo o responsável, que falava à Lusa à margem da inauguração do centro de hemodiálise do Hospital Baptista de Sousa, na ilha cabo-verdiana de São Vicente, cofinanciado pelo Camões, só em ações próprias, a cooperação portuguesa desenvolve desde o último ano 24 projetos bilaterais.

João Ribeiro de Almeida especificou que esses projetos envolveram desde logo o apoio a um programa de “resposta rápida à emergência sanitária”, no âmbito da pandemia de covid-19, na reabilitação de casas destruídas pelas cheias de setembro na cidade da Praia, ou a concretização, agora, do segundo centro de hemodiálise do país, que permitirá tratar 40% dos doentes cabo-verdianos, reduzindo o número de tratamentos em Portugal.

“Coisas muito específicas, mas que fizeram com que o ano de 2020 fosse muito importante para a cooperação portuguesa em Cabo Verde”, enfatizou o presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

Além destes 24 projetos, o Camões tem atualmente a cooperação delegada da União Europeia para gerir outros três projetos em Cabo Verde, financiados com fundos comunitários, em função da experiência adquirida.

“Isto anda ao redor de 2,3 milhões de euros com 24 programas bilaterais e três de cooperação delegada, em 2020”, acrescentou.

Saúde, educação, ambiente, boa governação ou saneamento e água são algumas das áreas envolvendo estes projetos de cooperação com Cabo Verde.

De acordo com informação do Governo de Cabo Verde, o novo centro de hemodiálise do Hospital Baptista de Sousa, inaugurado hoje pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, resulta de uma parceria com o Camões, “com o intuito de evitar” o transporte “de doentes para o exterior do país”, para a realização de hemodiálise.

Trata-se de um investimento de 210 milhões de escudos (1,9 milhões de euros), financiado pelo Governo cabo-verdiano e pelo Camões (em 36%, cerca de 680 mil euros), tendo uma capacidade de tratamento de 19 postos normais e três especiais, “com possibilidade de dialisar, num turno, 35 doentes”.

O centro contará ainda com o apoio de três médicos especialistas e 15 enfermeiros, e “irá acolher doentes oriundos principalmente das ilhas de Barlavento, cuja estimativa corresponde a 40% do número total de doentes de hemodiálise no país”, sublinhou o Governo.

Para o presidente do Camões, o novo centro – que terá ainda o apoio técnico de Portugal – cumpre uma “dupla missão”, já que ao “melhorar a oferta de cuidados de saúde” em Cabo Verde, em doenças de nefrologia em geral, vai também reduzir a necessidade de evacuações médicas, que tinham Portugal como o principal destino, com “custos avultados, financeiros e sociais, para Cabo Verde”.

“Mas obviamente Portugal continuará sempre de braços abertos a receber aqueles casos que não possam ser tratados aqui”, enfatizou.

Em 2017, Portugal e Cabo Verde tinham assinado um protocolo através do qual a cooperação portuguesa atribuiria 400 mil euros para a construção deste centro, mas Cabo Verde solicitou depois um reforço da verba, conforme acordos assinados pelos governos dos dois países em 2019.

Em Cabo Verde existe um centro de hemodiálise, a funcionar no Hospital Dr. Agostinho Neto, na cidade da Praia, também cofinanciado pela cooperação portuguesa em um milhão de euros. Este centro, que começou a funcionar em 2014, atingiu o ponto de rutura no acolhimento de doentes em 2018, tratando 140 pessoas que necessitam de fazer hemodiálise.

Numa altura em que está a terminar, em 2021, o Programa Estratégico de Cooperação Portugal-Cabo Verde, João Ribeiro de Almeida garantiu que o instituto Camões está a começar a definir as prioridades para o novo programa de apoio.

“Estamos aqui de alma e cooperação com Cabo Verde para identificar nos próximos cinco anos quais serão as prioridades”, concluiu.

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