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Produção mundial de calçado aumentou 6,9% em 2024

A produção mundial de calçado aumentou, em 2024 – antes, por isso, do impacto das tarifas norte-americanas – 6,9% para 23,9 mil milhões de pares, de acordo com o World Footwear Yearbook 2025, agora lançado pela APICCAPS.
Andar com tamancos de madeira é proibido em Capri, desde a década de 1960. Os moradores desta ilha italiana valorizam muito a tranquilidade e, por isso, este tipo de calçado está excluído do regulamento das praias e cafés junto ao mar. Deve esquecer também a ideia de transportar rádio para a praia, uma vez que é proibido ligá-lo em qualquer lugar ao ar livre.
28 Agosto 2025, 12h37

A produção mundial de calçado aumentou, em 2024, 6,9% para 23,9 mil milhões de pares, de acordo com o World Footwear Yearbook 2025, recentemente lançado pela APICCAPS. A indústria do calçado continua fortemente concentrada na Ásia, onde são fabricados cerca de nove em cada 10 pares de sapatos — o que representa 88% da produção mundial.

A China mantém-se como o maior produtor mundial de calçado, com 13 mil milhões de pares fabricados em 2024 e uma quota de mercado global ligeiramente acima dos 54%. A Índia aumentou a sua quota para 12,5% da produção mundial, ocupando o segundo lugar. O Vietname surge em terceiro, com uma quota de 6,5%. “São números que devem ser avaliados com cautela”, considera Luís Onofre. “Não é razoável que praticamente 90% da produção asiática seja assegurada por produtores asiáticos, quando deveríamos defender práticas de comércio livre, justo e equilibrado”, sustenta o Presidente a APICCAPS. “A edição de 2025 do World Footwear Yearbook confirma Portugal como um dos grandes players do setor, em especial no segmento de calçado de couro. Estamos a fazer o nosso caminho”.

Também as exportações mundiais de calçado aumentaram em 2024, neste caso, 4,6% em volume face ao ano anterior, sinalizando uma recuperação gradual do comércio internacional. A Ásia manteve-se como o principal exportador, representando 85,1% do total das exportações — ligeiramente acima dos 84,5% registados há uma década.

Entre 2015 e 2024, as exportações globais de calçado cresceram modestamente em volume (+1,2%), mas aumentaram 31,4% em valor, passando de 129,2 mil milhões para quase 170 mil milhões de dólares.

Os países asiáticos reforçaram a sua posição dominante no comércio global de calçado, com a quota conjunta a subir de 84,6% em 2023 para 85,1% em 2024. Em contrapartida, a quota da Europa caiu ligeiramente para 12,6%.

Ao nível do consumo, em 2024, a Ásia foi responsável por mais de metade do consumo mundial de calçado (55,5%), refletindo um aumento em relação ao ano anterior. A América do Norte e a Europa surgem a seguir, com quotas de 13,6% e 13,5%, respetivamente.

O consumo per capita de calçado varia bastante entre regiões — desde apenas 1,4 pares por pessoa em África até 4,8 pares por pessoa na América do Norte. A China continua a ser o maior consumidor mundial de calçado, reforçando a sua quota para 18,6% do total global. A Índia surge em segundo lugar com 13,3%, e os Estados Unidos mantêm o terceiro lugar com uma quota estável de 9,8%.

A União Europeia, considerada como uma região única, ocupa o quarto lugar, com 2.069 milhões de pares consumidos em 2024. A China continua a ser o principal exportador, com 62,2% das exportações mundiais, embora com uma quota em queda (63,8% em 2023). O Vietname ocupa o segundo lugar, com 10,7%, seguido da Indonésia com 4,1%. Estes três países, juntos, representam mais de três quartos das exportações mundiais de calçado.

Na última década, o preço médio de exportação do calçado aumentou significativamente — de 8,83 dólares por par em 2015 até um pico de 11,98 dólares em 2023 — , o que representa um aumento de 36%. Esta tendência refletiu o aumento dos custos de produção, uma maior aposta em produtos de maior valor acrescentado e pressões inflacionistas nas cadeias de abastecimento globais. No entanto, em 2024, essa tendência registou a primeira quebra significativa, com o preço médio a cair para 11,47 dólares por par. Esta descida poderá indicar uma mudança no mix de produtos ou na estratégia de preços, após dois anos de forte crescimento em valor.

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