PSD quer saber se Álvaro Santos Pereira foi vítima de censura e afastado pelo Governo

Autor do relatório da OCDE sobre a economia portuguesa escreveu ontem no Twitter, a poucas horas de resposnder a perguntas dos deputados na Assembleia da República, que “se o silêncio sobre a corrupção e o compadrio interessa a alguns, a verdade é que este silêncio é um autêntico cancro para a Democracia”.

O PSD vai perguntar nesta quarta-feira a Álvaro Santos Pereira “se é ou não verdade que o Governo quis apagar menções a medidas de combate à corrupção” do relatório “Economy Survey of Portugal – 2019”, que coordenou na qualidade de diretor de Estudos Nacionais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). O ex-ministro da Economia de Pedro Passos Coelho estará hoje à tarde na Assembleia da República para uma audição na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

O deputado social-democrata Carlos Peixoto disse ao Jornal Económico que a audição pedida pelo grupo parlamentar do PSD (e aprovada com apoio do CDS-PP e abstenção do Bloco de Esquerda) vem na sequência das notícias acerca do “incómodo causado pelo relatório” junto do Executivo de António Costa, nomeadamente no que dizia respeito a propostas de reformas na justiça e no combate à corrupção. E ainda das notícias que davam conta “de que o Governo fez tudo para afastar Álvaro Santos Pereira da apresentação do relatório”, que decorreu em Lisboa no mês de fevereiro.

Também será perguntado a Santos Pereira porque “fez tanta questão” em falar nas questões do combate à corrupção como tendo impacto no desempenho da economia e se essas preocupações “são transversais a outros países europeus” ou uma particularidade portuguesa.

“As interferências de um qualquer Governo para impor a lei da rolha são inadmissíveis”, disse Carlos Peixoto, que espera ouvir de Álvaro Santos Pereira quais são as medidas que advoga deverem ser implementadas em Portugal, nomeadamente no aumento de recursos para investigação criminal e na reformulação do processo penal.

Ainda antes da apresentação do relatório foi noticiado que foram apagadas todas as referências aos casos que envolvem o ex-primeiro-ministro José Sócrates, o ex-presidente do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, e os ex-responsáveis pela Portugal Telecom, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava.

 

Santos Pereira reage através do Twitter

O Jornal Económico tentou, sem sucesso, contactar Álvaro Santos Pereira, mas este recorreu ao Twitter para assinalar na tarde de terça-feira que irá hoje ser ouvido na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. “Se o silêncio sobre a corrupção e o compadrio interessa a alguns, a verdade é que este silêncio é um autêntico cancro para a Democracia. Um cancro que mina a confiança dos cidadãos na Justiça e na Política”, escreveu, acrescentando que “evitar o combate e o discurso anticorrupção só dá voz aos populistas”.

Já pouco depois da apresentação do relatório da OCDE escreveu, também no Twitter, que “sem um combate sem tréguas contra a corrupção e contra o compadrio não há Democracia nem Justiça que resistam”. E lançou também nessa altura um alerta: “Sem os meios necessários e sem políticas fortes contra a corrupção dá-se voz aos populistas e aos extremistas. Tolerância zero à corrupção. A bem da Democracia.”

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