PSD: Rangel considera legislativas antecipadas um cenário “pouco provável”, mas garante estar “preparadíssimo” para tal

O candidato à liderança do PSD considera que Rui Rio tem alienado votantes do leque alargado que o PSD necessita para vencer umas legislativas e acusa o atual líder de esperar que o PS perca eleições, em vez de as tentar ganhar.

Paulo Rangel garantiu na primeira entrevista como candidato à liderança do PSD que procurará ganhar as eleições ao PS, por oposição a Rui Rio, a quem acusa de esperar por uma derrota dos socialistas, e confessa que um cenário de crise política lhe parece altamente improvável, mas, a verificar-se, “não cabe ao PSD aprovar o Orçamento do Estado (OE)”.

Em entrevista ao Jornal das 8, da TVI, Paulo Rangel considerou que “o PS tem de negociar com os parceiros de coligação”, ou seja, com os partidos à esquerda, lembrando que os socialistas repetiram “variadas vezes que não querem um acordo com o PSD nesta matéria”. Para o candidato à liderança social-democrata, o cenário de crise política afigura-se improvável, refletindo mais “um extremar da negociação”, mas reitera que a possibilidade de eleições antecipadas não fragilizaria a sua candidatura.

“Aconteça o que acontecer, se por acaso houver crise política, eu não só estaria preparado, como acho que o PSD não pode renunciar ao processo de fazer eleições internas e levar um líder legitimado”, argumentou o eurodeputado, que garante ter programa próprio para esta eventualidade.

Sobre a decisão de se candidatar, Rangel relembra que se manteve neutro nas diretas de 2017, mas a decisão de não incluir nos órgãos do partido membros da lista derrotada em 2019 lhe criou “desconforto”. Quanto ao atual líder social-democrata, o candidato à presidência do PSD recorda a decisão de terminar com os debates quinzenais na Assembleia da República, uma medida que considera errada por ter terminado com “a ferramenta de escrutínio parlamentar”.

Assim, o candidato, que havia já corrido à liderança do partido frente a Pedro Passos Coelho, afirma que não está à espera que o PS perca as eleições, mas sim a preparar-se para as vencer. Sobre possíveis acordos à direita, o Chega ficou de fora do leque de parceiros a considerar, visto que “o governo do PSD nunca será feito com um partido radical, qualquer que seja”.

Para Rangel, importante será “ir buscar votos do centro-esquerda à direita moderada”, até para garantir uma maioria absoluta que as mais recentes sondagens não perspetivam, mesmo em caso de união dos partidos à direita com assento parlamentar. Como tal, a oposição terá de ser “mais firme, visível e assertiva” e a mensagem do PSD terá de chegar a um leque alargado que, acusa Rangel, Rui Rio tem vindo a alienar.

“Temos de falar para todos os portugueses. Falando de mobilidade social, consegue-se falar de liberdade social e justiça social, consegue-se falar para aqueles preocupados com uma sociedade muito estatizada, (…) mas sem perder o respeito por aqueles que defendem uma presença social que não tem de ser estatizante”, detalhou o candidato, que rematou com a diferença entre o atual partido e aquele que será o PSD caso vença as eleições internas.

“Não estou à espera que o PS perca as eleições, estou pronto para fazer o PSD ganhar eleições. Uma coisa é o partido da espera, outra é o partido da esperança”, concluiu.

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