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PwC: IPO tiveram crescimento de 21% em 2025

“Olhando para o futuro, 2026 configura-se como mais um ano forte para os IPOs ao nível global e na [região] da Europa, Médio Oriente e África (EMEA), impulsionado pelo forte apetite dos investidores por histórias de IPO de qualidade, uma carteira de emitentes, incluindo grandes unicórnios, e um sentimento geral construtivo do mercado de ações, sujeito à estabilidade contínua”, disse a diretora de Mercados de Capitais da PwC Reino Unido, Kat Kravstov.
5 Janeiro 2026, 09h24

O mercado de ofertas públicas iniciais (IPO), que é o processo de entrada de uma empresa em bolsa, terminou 2025 com um crescimento de 21%, face a 2024, de acordo com os dados do IPO Watch EMEA 2025, elaborado pela PricewaterhouseCoopers (PwC).

Em 2025, foram angariados através de IPO, um total de 143,3 mil milhões de dólares (122,6 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual), resultantes de 1.014 ofertas públicas iniciais (IPOs), quando no ano anterior o saldo ficou-se pelos 118,1 mil milhões de dólares (101 mil milhões de euros) em 984 IPOs.

“A retoma da atividade, particularmente forte no segundo semestre do ano, foi impulsionada pelo robusto mercado de IPO nas Américas (59,8 mil milhões de dólares ou 51,1 mil milhões de euros) e na região Ásia-Pacífico (61,6 mil milhões de dólares ou 52,7 mil milhões de euros), com aumentos de 61% e 24%, respetivamente. O maior IPO global em 2025 foi o da Medline, avaliado em 6,3 mil milhões de dólares, ou 5,3 mil milhões de euros, e precificado em dezembro nos Estados Unidos (EUA), sublinha o IPO Watch EMEA 2025, da PwC.

Os dados da PwC dizem ainda que os 10 maiores IPO de 2025 foram compostos por seis empresas da região Ásia-Pacífico, três dos EUA e uma da Europa. “Quatro das dez maiores ofertas públicas iniciais (IPOs) foram apoiadas por capital privado e capital de risco, demonstrando uma tendência para o retorno das listagens com apoio de patrocinadores como uma rota viável de monetização”, salienta o documento da PwC.

“O maior setor em termos de receitas globais de IPO foi o Financeiro, com 42,3 mil milhões de dólares, ou 36,2 mil milhões de euros, subindo da terceira posição em 2024, quando arrecadou 16,3 mil milhões de dólares, 13,9 mil milhões de euros. O setor Financeiro representou 29% da receita global, com quatro IPO a angariar mais de mil milhões de dólares, ou 860 milhões de euros. O setor das Tecnologias de Informação veio logo a seguir, com 19,6 mil milhões de dólares, ou 16,7 mil milhões de euros, enquanto os setores do Consumo Discricionário e Industrial arrecadaram 18,8 mil milhões, ou 16 mil milhões de euros, e 18,1 mil milhões de dólares, ou 15,4 mil milhões de euros, respetivamente”, descreve a consultora.

O líder global do Centro de IPOs da PwC no Reino Unido, Stuart Newman, salientou que apesar das interrupções, 2025 foi um “ano forte” para as IPO, que resultou num crescimento de 21% face ao ano anterior.

“Os EUA, a China/Hong Kong e a Índia impulsionaram a atividade em 2025; existe confiança e uma carteira ativa de projetos para 2026 em todas as regiões, embora ainda seletiva”, salientou Stuart Newman.

Região EMEA teve quebra nos valores angariados em IPO

Já na região da Europa, Médio Oriente e África (EMEA), em 2025, angariou-se 22,6 mil milhões de dólares, ou 19,3 mil milhões de euros, através de 130 IPO, face aos 31,7 mil milhões de dólares, ou 27,1 mil milhões de euros, resultantes de 152 IPO em 2024.

“A atividade diminuiu devido ao adiamento das listagens de grandes empresas para 2026. No entanto, verificou-se um forte desempenho no quarto trimestre, impulsionado pela atividade em Estocolmo, Arábia Saudita e Londres, com predominância dos setores da Saúde e Financeiro”, referiu a PwC.

Europa angariou menos dinheiro com entrada de empresas em bolsa

No mercado europeu, os 60 IPO contabilizados, em 2025, angariaram 12,5 mil milhões de euros, um valor que ficou abaixo dos 15 mil milhões de euros, resultantes de 64 IPO, em 2024.

“Os fundos angariados em IPO na Europa no quarto trimestre atingiram os 5,5 mil milhões de euros, provenientes de 15 listagens, um forte fecho de ano que sinaliza um impulso robusto para 2026”, salienta a PwC, que reforça que estes dados “sinalizam uma retoma contínua” do mercado de IPO.

“O maior IPO na Europa este ano foi também o maior IPO na região EMEA: a entrada em bolsa de 3,2 mil milhões de euros da empresa de segurança residencial Verisure no Nasdaq, em Estocolmo. Outras grandes ofertas públicas iniciais (IPOs) na Europa incluem a entrada em bolsa da empresa de tecnologia da informação suíça Marketplace Group na Six Swiss Exchange, no valor de 967 milhões de euros, e a entrada da Asker Healthcare no Nasdaq, em Estocolmo, no valor de 823 milhões de euros. Estocolmo alberga quatro das dez maiores IPO da Europa. Sete das dez maiores IPO da Europa contaram este ano com o apoio de private equity, o que demonstra a ambição dos investidores em gerar valor”, destacou a consultora.

Bolsa londrina teve melhor desempenho desde 2021

A PwC evidencia também os resultados atingidos pela bolsa londrina. Em 2025 foram contabilizados 11 IPO, que resultaram na angariação de 1,9 mil milhões de libras, ou 2,1 mil milhões de euros, o que representa “o melhor desempenho” desde 2021.

“O quarto trimestre foi marcado por uma intensa atividade, com a fintech Shawbrook e a empresa de bens de consumo Princes Group a precificar as suas IPOs no final de outubro em 348 milhões (399,9 milhões de euros) e 400 milhões de libras (459,6 milhões de euros), respetivamente”, referiu a consultora.

“Outras atividades no mercado bolsista incluíram a cisão da empresa mineira global Valterra Platinum e da Magnum Ice Cream Company, novas listagens da Metlen Energy & Metals e migrações do AIM para o Mercado Principal, emissões de direitos e transações de Empresas de Aquisição de Propósito Específico (SPACs), contribuindo para a recuperação dos mercados bolsistas de Londres. A isenção de três anos do imposto de selo sobre as ações em novas IPO no Reino Unido, anunciada no Orçamento do Ministro das Finanças no mês passado, é amplamente vista como uma medida positiva para impulsionar o mercado de IPO de Londres”, acrescentou a PwC.

O líder de IPO do Reino Unido na PwC UK, Vhernie Manickavasagar, destacou o “impulso crescente” evidenciado na bolsa londrina no que diz respeito aos IPO.

“Além disso, as empresas globais multibilionárias escolheram a Bolsa de Valores de Londres para as suas listagens internacionais em 2025, sendo a maior delas com uma capitalização bolsista de 16 mil milhões de libras (18,3 mil milhões de euros) em dezembro de 2025. Estes desenvolvimentos reforçam a recuperação dos mercados de capitais de Londres e o seu renovado apelo como um dos principais destinos para a admissão à cotação”, defendeu Vhernie Manickavasagar.

“Olhando para o futuro, a expectativa é que o ritmo se mantenha em 2026, com uma sólida carteira de IPO de grandes empresas nos setores de Consumo, Serviços Financeiros e Tecnologia, Media e Telecomunicações (TMT).”

Ao nível do Médio Oriente e África, a PwC salientou que a atividade de IPO no Médio Oriente “manteve-se ativa”, embora o tamanho médio das listagens “tenha sido menor”.

No quarto trimestre, as listagens do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) foram lideradas pela ALEC do Dubai, que captou 381 milhões de dólares (326,2 milhões de euros), e por várias IPO sauditas com valores abaixo dos 50 milhões de dólares (42,8 milhões de euros), diz a consultora.

“O ritmo constante de atividade contrasta com o verão tranquilo na Europa, com emissões sustentadas em vários setores. O maior IPO do Médio Oriente este ano foi o da companhia aérea Flynas, que se estreou na Bolsa da Arábia Saudita em junho, captando mil milhões de dólares (850 milhões de euros)”, referiu a PwC.

“A Bolsa de Valores de Joanesburgo (JSE), na África do Sul, teve um desempenho sólido este ano, beneficiando da melhoria do panorama político interno, bem como da subida dos preços dos metais preciosos, impulsionada pela procura global de ativos de refúgio”, adiantou a consultora.

A Diretora de Mercados de Capitais da PwC Reino Unido, Kat Kravstov, referiu que as emissões globais de IPOs aumentaram em 2025 em comparação com o ano passado, impulsionadas pela “recuperação” dos mercados dos EUA e da Ásia, com os volumes de IPO a caminhar para níveis “mais normalizados”.

Londres também está a beneficiar de um “grupo crescente” de empresas prontas para IPO, particularmente nos setores dos serviços financeiros e da tecnologia, salientou Kat Kravstov.

“Combinado com o aumento da atividade de private equity, isto cria um cenário favorável para novas emissões. Desde que o ambiente económico se mantenha estável, Londres poderá entrar num ciclo de listagem mais ativo em 2026”, sublinhou Kat Krasnov.

“Olhando para o futuro, 2026 configura-se como mais um ano forte para os IPOs ao nível global e na EMEA, impulsionado pelo forte apetite dos investidores por histórias de IPO de qualidade, uma carteira de emitentes, incluindo grandes unicórnios, e um sentimento geral construtivo do mercado de ações, sujeito à estabilidade contínua. Também vimos a atividade dos IPOs por parte dos patrocinadores de private equity fortalecer-se em 2025 e esperamos uma emissão mais forte apoiada por private equity no próximo ano”, afirmou Kat Krasnov.


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