Recuperação do turismo terá início em 2021

Uma queda de 25% nas receitas do turismo retira 2,9% ao Produto Interno Bruto (PIB) português. Sector será decisivo para a retoma da economia.

Uma queda de 25% no turismo tira 2,9% ao PIB português. O cálculo do Instituto Nacional de Estatística (INE), incluído numa atualização do sistema que permite antecipar como é que a economia reage a choques, espelha o peso que o setor tem na economia nacional, num impacto que poderá ser ainda superior, já que o INE baseia-se nas dinâmicas registadas em 2017 e o setor cresceu ainda mais nos dois últimos anos.

Porém, depois da interrupção este ano, 2021 pode voltar a ser um ano de viragem. “Espera-se, de facto, que, no quadro de um controlo efetivo da pandemia (seja através da descoberta de um fármaco eficaz no tratamento, seja através de uma vacina), possa ser um ano de recuperação, beneficiando quer dos efeitos de base, quer por uma procura acima do normal em 2021, devido à repressão da procura que se tem verificado este ano”, diz Rui Serra, economista chefe do Banco Montepio.

O economista frisa que o peso do turismo em Portugal é superior à média da zona euro, “o que poderia levar a fazer extrapolações simplistas no sentido de que o impacto económico da pandemia em Portugal seria mais gravoso do que na média europeia”, mas que “existem muitas outras áreas em que o distanciamento social também é muito condicionador da atividade económica, tal como o desporto, ou a cultura e os espetáculos, que têm um peso superior noutros países europeus”.

Segundo um estudo publicado pelo Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia, este setor que é responsável por 7,08% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) da economia portuguesa, é um dos mais afetados pelas medidas de contenção tomadas pelo Governo. Juntamente com o comércio e os transportes representa 22,37% do total do VAB. “O principal fornecedor de valor acrescentado doméstico ao setor “serviço de alojamento e restauração” gera 82,5% do VAB “necessário à satisfação da procura final total dirigida a este setor de atividade”. “Este valor acrescentado corresponde a 4.49% de todo o valor acrescentado gerado pela economia portuguesa”, explica o estudo.

Porém, o impacto da quebra não se limita ao próprio setor e tem consequências para outras áreas da atividade como: “produtos alimentares, bebidas e tabaco”, dado que 11,1% do VAB que gera é fornecido ao setor do turismo, assim como “agricultura, floresta e pesca” (7,3%), “outros negócios do setor empresarial” (4,8%), serviços de água, gás e eletricidade (4,5%) e do comércio a retalho e reparação de veículos (4,5%).

No início de maio, a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, calculou que em média as empresas do setor iriam faturar menos 50% do que em 2019.

Rui Bernardes Serra frisa que o impacto do turismo desde o início da pandemia tem sido muito significativo nos primeiros meses, fazendo notar que em março, as dormidas nos estabelecimentos hoteleiros caíram 58,7% e em abril terão descido 96,7%, segundo a estimativa preliminar do INE. “O aspeto menos negativo é que esses meses são tradicionalmente de época baixa (com exceção do período da Páscoa)”, realça. “Para além disso, 78.4% dos estabelecimentos de alojamento turístico respondentes assinalaram que a pandemia motivou o cancelamento de reservas agendadas para os meses de março a agosto de 2020”, acrescenta.

O economista antecipa que a “forma como se controlar a pandemia ao longo do mês de junho será muito importante para que o setor possa recuperar parte das reservas perdidas, sendo que Portugal, pelo facto de ter sido menos afetado pela pandemia comparativamente a outros dois destinos de Sol do Sul da Europa (Espanha e Itália), também deverá acabar por assistir a uma recuperação relativamente mais célere”.

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