Recuperação económica europeia “vai ser mais demorada” do que o previsto, alerta Siza Vieira

Na quarta edição da conferência EU Industry Days, o ministro português confirmou que as perspetivas iniciais de recuperação da economia europeia caíram por terra. Por isso, indicou que a pandemia é “oportunidade” para repensar indústria. UE está a trabalhar numa nova estratégia de reindustrialização da Europa.

António Pedro Santos/Lusa

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, afirmou esta terça-feira que a recuperação da economia europeia vai demorar mais do que o previsto, numa intervenção na quarta edição da conferência EU Industry Days, que é organizada pela Comissão Europeia.

“A recuperação vai ser mais demorada do que desejávamos e do que prevíamos nos últimos meses”, afirmou o governante português, salientando que “a pandemia trouxe impactos profundos e muito assimétricos em diferentes países e sectores económicos”.

Ora, perante as fragilidades evidenciadas pela pandemia da Covid-19 na Europa, o representante da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (UE) defendeu que o atual momento pode ser “uma oportunidade única para repensar a realidade industrial” europeia.

Siza Vieira garantiu, nesse sentido, que a presidência portuguesa do Conselho da UE está comprometida em “ajudar a combater a crise e apoiar a recuperação”. As principais prioridades são “promover uma recuperação europeia através da dupla transição digital e ecológica, implementar o pilar social da UE, um elemento-chave para garantir a transição justa e inclusiva, e reforçar a autonomia estratégia da UE no mundo”.

O ministro da Economia revelou que os 27 Estados-membros estão a trabalhar num “consenso em torno da estratégia europeia da reindustrialização”. Um consenso necessário, segundo Siza Vieira, uma vez que a “liderança da indústria europeia tem sido desafiada”, nos últimos anos, tendo em conta “o desenvolvimento de outras regiões mundiais e de novas tecnologias”.

A Comissão Europeia deverá divulgar “nos próximos meses” uma atualização da estratégia industrial do bloco comunitário, que deve ser discutida pelos 27 países.

O objetivo da nova estratégia passa por garantir “uma autonomia europeia” que coloque a União Europeia na “liderança” do ecossistema industrial. O governante acrescentou, ainda, que essa autonomia tem de passar por uma reindustrialização que respeite a a descarbonização e a eficiência energética.

“No futuro, a indústria vai ter de se adaptar a um novo paradigma, enquanto mantém a sua liderança”, afirmou. Sem especificar a que novo paradigma se referia, Siza Vieira sublinhou que a UE terá de procurar ser independente no desenvolvimento de novas tecnologias para o ecossistema industrial, tornando-se “produtora de tecnologia e não uma seguidora e compradora de tecnologias produzidas por outros”.

Além das questões tecnológicas, o governante português defendeu que a nova estratégia europeia deve apontar as pequenas e médias empresas (PME) como “a espinha dorsal da economia europeia”. Isto num contexto em que se reforce “a importância do mercado único europeu”.

“Nenhuma estratégia industrial europeia pode ter sucesso sem a participação das PME na transformação industrial”, argumentou Siza Vieira. Por isso, a presidência portuguesa do Conselho da UE vai procurar tornar as PME “uma questão transversal essencial”.

Ler mais
Recomendadas

Portugal promove “soluções para impacto assimétrico da crise”, garante ministro das Finanças

“Chegámos a um acordo sem precedentes que permite a emissão de dívida europeia em larga escala para financiar a recuperação economia europeia através dos programas de recuperação europeus”, referiu João Leão depois da reunião do G20.

Autárquicas: CDS-PP diz que Carlos Moedas é “um nome forte” para lidar “coligação de centro-direita” em Lisboa

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, acredita que o ex-comissário europeu é “capaz de libertar os lisboetas do socialismo e oferecer à cidade uma mudança para o futuro”, impedindo uma nova vitória do PS nas eleições deste ano.

Primeiro-ministro: “É natural que o desconfinamento comece pelas escolas”

António Costa recordou esta sexta-feira Governo “resistiu” até à última hipótese ao encerramento das escolas por causa do entrave que implica no desenvolvimento e no processo de aprendizagem dos alunos.
Comentários