Reformados em Portugal recebem em média 605 euros

Sondagem do Instituto BBVA de Pensões concluiu que 92% das pessoas abrangidas pela pensão de reforma não considera o valor adequado.

Cristina Bernardo

O valor da pensão média dos reformados em Portugal é de 605 euros, mas a maior parte (92%) das pessoas abrangidas não o considera adequado, concluiu a sexta sondagem do Instituto BBVA de Pensões. Geralmente, estes cidadãos começam a receber esse montante aos 61 anos de idade.

Dos 41% de entrevistados que disseram que poupam dinheiro a maior parte dos meses, a maioria (85%) fá-lo através de depósitos e contas de poupança, sendo que os principais motivos para o fazerem são sobretudo três: os imprevistos e/ou emergências; os apoios ao(s) filho(s) e o facto de não se poderem valerem de si mesmos no futuro.

A mais recente versão deste relatório sobre as pensões e os hábitos de poupança em Portugal perfila a população com mais de 60 anos em relação aos seus rendimentos e à forma como os usam e os poupam.

Há boas notícias, segundo os autores desta análise. É que 36% dos pensionistas inquiridos acha que vão receber mais ou menos o mesmo que contribuíram enquanto trabalhavam. No entanto, estes valores são claramente um retrocesso face ao dinheiro que antes tinham nos cofres. Antes de receberem a pensão de reforma, a média dos seus rendimentos era de 974 euros.

Apesar de apenas 11% dos reformados admitir que gostaria de se ter reformado antes, “cerca de 44% das pessoas entrevistadas tinham começado a poupar para a sua velhice, e apenas 11% das pessoas que recebem pensão de reforma teriam poupado mais se tivessem conhecido antecipadamente o valor da sua pensão”, pode ler-se no estudo elaborado pelo grupo bancário espanhol.

Os resultados do estudo de opinião estão a ser apresentados na conferência “Longevidade e os Desafios da Poupança Após a Reforma”, que se realiza esta manhã na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. O evento conta com a presença de oradores como Teodora Cardoso, economista e ex-presidente do Conselho de Finanças Públicas; da investigadora Elsa Logarinho, e de Jorge Bravo, economista e professor na Universidade Nova de Lisboa.

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