“Resiliência e inovação” são a chave do sucesso da região de Viseu

A disseminação do empreendedorismo e do empresariado tem sido uma preocupação central da associação que, no terreno, em Viseu, tenta manter a região em pé.

Cristina Bernardo

“É a nossa capacidade de resiliência mas sobretudo a nossa capacidade de irmos inovando” com aquilo que é a realidade local, por vezes muito minguada, que explica o sucesso da região, disse Gualter Lopes Mirandez, presidente da Associação Comercial do Distrito de Viseu e do projeto Viseu Empreendedor – e key note speaker ‘de serviço’ – no ciclo de conferências Portugal Inteiro, da responsabilidade do grupo Altice em parceria com o Jornal Económico, desta vez organizado em Viseu.

“Andamos há 120 anos a promover o empreendedorismo e além dos recursos externos, temos também a nível interno pessoal que nos dá garantia e sua a base do sucesso”, referiu – falando da realidade da própria associação que dirige, e que tem cerca de 1.200 sócios.

A capacidade de alavancagem do associativismo regional é de algum modo o que explica a assinalável pujança económica de Viseu enquanto mote para o desenvolvimento de toda uma região. Desde logo porque, com o recurso a financiamento externo, a associação soube “explicar aos interessados o que é ser empresário” no âmbito do projeto ‘Viseu Empreendedor’, apoiado pelo Compete 2020; “Das dezenas de candidatos e ouvintes fomos filtrando as ideias e os projetos que nos foram aparecendo, e acabámos por reunir 70 candidatos, que convidámos a apresentar ideias de negócios. Assim aconteceu. No final, tivemos 12 empresas que se afirmaram”, constituindo um alfobre do que de mais eficaz foi feito na região.

O projeto serviu também, disse Galter Lopes Mirandez, para deixar claro que “está no nosso ADN arriscar, competindo às instituições abrir caminho e apontar soluções que possam servir para o futuro. O projeto fechou em 2018 mas “as 12 empresas continuam a ser acompanhadas pela associação quando necessitam de qualquer acompanhamento”, disse.

“O empreendedorismo deve ser encarado como um obetivo prioritário”, principalmente no quadro dos territórios de baixa intensidade, em que Viseu se insere, resumiu Lopes Mirandez, “tanto seja para a criação de emprego, como na capacidade de atração e fixação”. Mas o presidente da associação não se esqueceu de afirmar que todo o esforço “só é eficaz se for feito em rede”, não só com a autarquia, como com o politécnico e com as empresas.

Para Lopes Mirandez, “a política fiscal e a valorização positiva do interior” devia estar presente – para que houvesse uma discriminação positiva da região – assim como s disseminação de programas de apoio e valorização do empreendedorismo e do empresariado.

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