Rui Rio considera que “há uma cedência especial ao PCP” na Festa do Avante

“Portugal já foi exemplo no estrangeiro na luta contra a pandemia, um exemplo positivo”, referiu Rui Rio que espera que a imagem do país não seja afetada.

JOSE COELHO/LUSA

O presidente do PSD garantiu esta segunda-feira que a realização da festa do PCP demonstra “uma cedência especial ao PCP”,  durante visita ao Hospital de São João, no Porto.

“Acho que há aqui uma cedência especial ao PCP porque não se justifica, não tem racionalidade, mais nenhum partido faz isto”, apontou Rui Rio que considerou ainda que “o PCP tem mérito a fazer a festa do Avante, não em 2020”.

O líder do PSD também revelou estar preocupado com a reputação de Portugal no estrangeiro, depois da agência Associated Press ter avançado com uma notícia sobre a festa do Avante, que foi depois publicada pela edição online New York Times.

“Portugal já foi exemplo no estrangeiro na luta contra a pandemia, um exemplo positivo. Infelizmente agora esta questão da festa do Avante até já é exemplo negativo no estrangeiro, que tomamos conhecimento que um dos maiores jornais do mundo, um dos mais prestigiados do mundo também já referencia na américa aquilo que é a licença para se fazer nesta época uma festa”, sublinhou Rui Rio.

“Espero que não tenha consequências em termos daquilo que é a confiança que os outros países possam ter na forma como nós estamos a combater a pandemia porque todos nós sabemos que isso tem reflexos na nossa própria economia”, disse o presidente do PSD.

Por sua vez, o deputado do PSD Ricardo Baptista Leite revelou estar apreensivo depois de ter visto o plano de contingência do PCP.

“O Partido Comunista publicou o plano de contingência. O que distingue a festa do Avante dos demais festivais de verão que foram cancelados? Depois de ler o plano, que até inclui uma roda gigante e um carrossel, confesso a minha apreensão com os riscos”, escreveu Ricardo Baptista Leite na sua página no Twitter.

A segunda feira, 31 de agosto, ficou marcada pela divulgação quer do parecer da Direção Geral de Saúde, quer do plano de contingência do PCP para a festa do Avante. No documento divulgado pelos comunistas e enviado às redações, constam as alterações ao evento que passam pela redução de palcos de 10 para 3, proibição do consumo de bebidas alcoólicas e alteração de horários.

“Este plano define as medidas e procedimentos de prevenção e segurança, em particular de mitigação do risco de contágio pela Covid-19, assegurando que todos estarão informados e sensibilizados para o cumprimento das regras aconselhadas pela organização e autoridades de saúde”, explicou o Partido Comunista Português na missiva.

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