Tecnológica 360imprimir quer ter 20 mil tipos de produtos personalizáveis até ao final do ano

Depois dos tradicionais cartões-de-visita e blocos de notas com logos das empresas, a “Amazon dos produtos customizados para PME” vai ter novas gamas de produtos à venda, desde embalagens de logística a ‘amenities’ para hotéis. Desde 2013, a ‘scale-up’ portuguesa investiu mais de 10 milhões de euros em Investigação & Desenvolvimento. “Produzimos por mês 100 mil encomendas e fazemo-lo remotamente, agregando múltiplas encomendas e diminuindo os custos”, refere o cofundador José Salgado ao Jornal Económico.

Já deverá ter chegado a uma reunião ou um restaurante e reparar que em cima da mesa estão canetas ou chávenas de café com o logotipo da empresa, e é mais provável até que isso tenha acontecido numa multinacional ou num local mais requintado. É neste problema de dimensão que a tecnológica portuguesa 360imprimir quer atuar, fazendo com que todas as Pequenas e Médias Empresas (PME) tenham acesso a produtos de Marketing personalizados – e não se referem apenas aos cartões-de-visita que são entregues entre apertos de mão. O leque de itens é extenso e abrange tanto power banks como guarda-chuvas.

A startup fundada em 2013 começou o negócio com uma gama em papel (flyers, cartões…), que chegou a representar mais de 90% da faturação da empresa e acabou por guiar o seu crescimento nos primeiros anos. Hoje, representa menos de 60% das receitas e espera-se que essa percentagem desça para os 20-30%.

“Depois percebemos que o modelo de negócio e a tecnologia que montámos para os cartões-de-visita funciona em todas as novas categorias de produtos customizados para PME”, explicou José Salgado, cofundador e Chief Growth Officer ao Jornal Económico (JE). Seguiram-se os produtos de grande formato, os sacos de papel e os promocionais (blocos de notas, esferográficas, canecas…).

No primeiro semestre deste ano a empresa irá entrar no mercado das embalagens de logística (pacotes de cartão), do food and drink packaging (material reutilizável e/ou descartável para cafés e restaurantes) e dos pratos e copos personalizados. Além disso, vai lançar uma gama de produtos específicos para hotéis que consiste em amenities personalizadas (os mini champôs e gel de banho).

José Salgado é um dos seis sócios e fundadores da 360imprmir (a par com Sérgio Vieira – CEO -, Jorge Correia, João Matias, Pedro Gaspar e Diogo Silva). Numa visita guiada às novas instalações da empresa em Lisboa, o gestor explica ao JE como a startup fundada em 2013 continua a trilhar o caminho para se tornar na “Amazon dos produtos customizados para PME”. Hoje, a plataforma de comércio eletrónico tem 2 mil produtos disponíveis, mas até ao final deste ano deverá chegar aos 20 mil e, daqui a apenas quatro anos, chegará aos 100 mil.

“Os clientes que precisam deles compram-nos. Na era da personalização, vão querer comprar um produto por um preço ao qual se acrescenta mais 10 ou 20% por essa personalização. O que queremos é que a pequena empresa tenha acesso aos produtos como se fosse uma grande cadeia. As PME, em percentagem das vendas, gastam menos em Marketing do que uma grande empresa. Não faz qualquer sentido”, refere José Salgado, na apresentação dos novos escritórios, em Alvalade.

Na prática, a 360imprimir foca-se em fazer com que as PME também possam investir na personalização, para que os guardanapos e o fardamento dos funcionários possa ter o logo da organização. Como? Através de produção em grande escala e de agregação de encomendas. “Atualmente, se as empresas forem comprar estes produtos os preços são elevadíssimos para pequenas quantidades e têm de recorrer a múltiplos parceiros. É um processo demorado, porque o prazo de entrega são várias semanas. No nosso website compram através de um conjunto de clicks”, garante o responsável pelo crescimento de negócio.

Para tal, esta ‘gráfica online’, cujo principal concorrente é a holandesa Vistaprint, faz um investimento recorrente em I&D para perceber como funciona o processo produtivo das diferentes gamas. Ao longo de seis anos esse investimento ultrapassou os 10 milhões de euros. “Conseguimos ter esta proposta de valor pela tecnologia que desenvolvemos. Ou seja, nós produzimos por mês 100 mil encomendas e fazemo-lo remotamente, agregando múltiplas encomendas e diminuindo os custos de setup”, refere José Salgado, sublinhando que um terço da equipa é composta por engenheiros informáticos.

A 360imprimir, com sede em Torres Vedras, vende hoje para mais de um milhão de PME em Portugal, Espanha, Brasil, México, Estados Unidos da América, Canadá, Reino Unido, Irlanda, França, Bélgica, Suíça, Alemanha, Áustria, Holanda, Itália, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Noruega, República Checa e Polónia. Os três de hubs de produção, que fornecem estes 21 mercados, encontram-se na Europa (com parceiros na Península Ibérica), no Brasil (parceiros locais) e na América do Norte e Central (parceiros de Dallas).

Em maio de 2019, a 360imprimir fechou uma ronda de investimento de 20,4 milhões de dólares (cerca de 18,5 milhões de euros) liderada pela LeadX Capital Partners e na qual participaram a Omnes Capital, a Pathena e o fundo de investimento 200M, gerido pela PME Investimentos e cofinanciado pela Comissão Europeia.

Mais recentemente, a empresa fez um rebranding a nível global, passando a designar-se Bizay. No entanto, em Portugal continuará com o nome 360imprimir durante mais algum tempo, tendo em conta o histórico nacional – i.e. a repentina mudança de denominação poderia confundir os clientes.

Conheça, pela galeria abaixo, as novas instalações da empresa, no Edifício Visconde de Alvalade, onde se encontram 140 dos seus colaboradores.

Recomendadas

Vendas dos lojistas com quebras de 37% face a 2019. Em Lisboa, a redução é superior a 40%

Por sector de atividade, a restauração continua a ser o setor mais afetado, com a descida das vendas a registar 49,1%, o sector de retalho 34,3% e o sector de serviços 38,5%.

Sociedade do Luxemburgo quer comprar até 450 milhões de euros de dívida da dona do Minipreço

A sociedade do Luxemburgo é a DEA Finance, que é detida pela LetterOne. A mesma LetterOne que é a principal acionista da dona do Minipreço, com 69,76% do capital.

PSD diz que “começa a ser evidente” necessidade de uma comissão de inquérito ao Novo Banco

Em causa está mais um negócio ruinoso do Novo Banco para o Estado português, desta vez com a venda a preços de saldo de uma seguradora a um fundo detido por um milionário condenado por corrupção. Os social-democratas dizem que comissão de inquérito é essencial para se perceber como forma feitas as compras e vendas de ativos do banco.
Comentários