Carlos Mota Santos, CEO da Mota-Engil, considera que a revisão da legislação do trabalho deve ir ao encontro de maior flexibilidade e que isso traga mais competitividade das empresas, mas criticou duramente que o salário médio esteja tão próximo do salário mínimo.
“Tenho vergonha de vivermos num país em que o salário médio é próximo do salário mínimo”, destacou o responsável máximo da construtora no programa “Conversa Capital”, da Antena 1 e Jornal de Negócios, que espera atingir receitas de nove mil milhões de euros, de acordo com o plano estratégico que vai até 2030
Em matéria de revisão do pacote laboral, este responsável defende que é preciso dotar o país “das armas” que permitam às empresas criar riqueza e pagar melhor aos seus trabalhadores. Admite que atualmente “há uma menor demonização das grandes empresas”. Realça ainda que há falta de grandes empresas e, no contexto europeu, Portugal nem sequer tem um campeão mundial, ao contrário do que se passa com Espanha.
Sobre a falta de mão-de-obra, Carlos Mota Santos que esta continuará a ser um problema na construção civil caso não exista um plano de curto e longo prazo para formar a canalizar emigrantes para este sector. E faz uma revelação: ao abrigo da “via verde” a Mota Engil já conseguiu trazer para Portugal mais de 200 trabalhadores.
Aumento dos combustíveis vai impactar custo da construção
Para o responsável máximo da Mota Engil, o aumento do preço dos combustíveis vai ter impacto na subida dos custos da construção, com sérias consequências no mercado da habitação, algo poderá levar a um adiamento dos investimentos para manter as contas públicas equilibradas.
E vais mais longe: este fator pode ditar o adiamento de investimentos em Portugal. No caso particular da Mota Engil, recorda o CEO que os países em que a construtora tem investimentos (países produtores de petróleo como Angola, México ou Nigéria) vão beneficiar da subida do preço do petróleo, algo que pode ser benéfico para a empresa que gere.
A construtora Mota-Engil tem o plano ambicioso de atingir os 9 mil milhões de euros em volume de negócios até 2030. Esta é uma das metas traçadas pela construtora que apresentou esta quarta-feira, no seu ‘Capital Markets Day’, a estratégia para o período 2026-2030. Este valor representa quase um duplicar dos atuais 5,3 mil milhões de euros do grupo liderado por Carlos Mota Santos e um crescimento anual de 10%.
Entre outras metas para os próximos quatro anos está um investimento líquido de 500 milhões de euros e um aumento de 18% no rácio de solvabilidade, com um pagamento dos lucros aos acionistas de entre 30% a 50%. “Estamos a investir no futuro, em diferentes projetos e mercados, que nos vão permitir crescer e ser cada vez mais competitivos nos mercados onde já estamos presentes”, afirmou o CEO, Carlos Mota Santos.
“Apesar do conflito no Médio Oriente, a Mota Engil não vai retroceder nas suas intenções de investimento na região e, nesta entrevista, Carlos Mota Santos revela mesmo que a empresa vai concorrer à Alta Velocidade na Arábia Saudita”
O presidente da Mota-Engil revela que apesar do conflito no Médio Oriente, a Mota Engil não vai retroceder nas suas intenções de investimento na região e, nesta entrevista, Carlos Mota Santos revela mesmo que a empresa vai concorrer à Alta Velocidade na Arábia Saudita.
A par da internacionalização, a Mota Engil vai continuar a apostar no mercado nacional. “Esta é a nossa casa apesar de, como refere, não ser o mercado mais fácil nem aquele que mais reconhece a empresa”, diz ao mesmo tempo que lamenta “a visão miserabilista” que existe nos concursos públicos que parece querer impedir as empresas de ganhar dinheiro.
“A ditadura de preços base muito baixos dos concursos para as obras públicas está a atrasar o país porque estamos sistematicamente a atrasar os investimentos e os projetos que são estruturais para a economia”, segundo Carlos Mota Santos. Dá como exemplo a Alta Velocidade (AV), muito exigente do ponto de vista do preço.
Obras do primeiro troço da Alta Velocidade arrancam no segundo semestre
Segundo Carlos Mota Santos, as obras do primeiro troço da AV vão avançar no segundo semestre e a empresa vai concorrer novamente, em consórcio, com outras empresas portuguesas, ao segundo troço. Admite que houve “eventualmente” amor à camisola na decisão de avançar para a AV, lamentando simultaneamente que não se valorize o “simbolismo muito grande” e o “orgulho” de ser um consórcio 100 por cento português a arrancar com uma infraestrutura “tão importante”.
Nesta entrevista o CEO da Mota Engil, empresa que é a maior acionista da Lusoponte, revela ainda que pretende disputar a próxima concessão das travessias do Tejo que deverá incluir a construção da travessia Chelas-Barreiro e do túnel submerso Algés-Trafaria.
Carlos Mota Santos defende mesmo que, do seu ponto de vista, “quanto mais depressa o Governo decidir lançar este concurso e não esperar por 2030, melhor”. Refere que a empresa fará “sempre parte da solução” para “permitir antecipar timings”, porque essas obras são vitais para a AV e para o novo aeroporto.
Sendo que a Mota Engil também pretende concorrer à construção do novo aeroporto. Carlos Mota Santos considera que será “uma excelente oportunidade para a fileira da construção”. A Mota Engil tem estado, desde o primeiro momento, envolvida na recuperação das construções danificadas pelo mau tempo na zona centro.
Durante 10 dias foram alocadas três equipas de 14 homens (42 no total) para reparações em casas e edifícios públicos. Atualmente já há um enquadramento jurídico para as empreitadas em curso, mas foram feitas algumas obras pro bono.
Sobre a atuação das câmaras diz que tem sido “célere e pragmática”. (clip11)
Considera que a mão-de-obra é e continuará a ser um problema na construção civil se não existir um plano de curto e longo prazo para formar e canalizar imigrantes para o sector. Revela que ao abrigo da “via verde” a Mota Engil já conseguiu trazer para Portugal mais de 200 trabalhadores.
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