Touros regressam em força a Wall Street

Até onde poderão ir o EUR/USD e o preço do ouro?

Mark Blinch/Reuters

Depois de um trimestre absolutamente frenético em Wall Street, os Touros regressaram ao mercado com o mesmo ímpeto com que tinham terminado a primeira metade do ano, permitindo aos índices norte-americanos ganhos interessantes no primeiro mês do segundo semestre, com destaque para a preferência pelo sector tecnológico mas não só. Em Julho, as retalhistas e as empresas de materiais básicos também estiveram sob pressão compradora extra, assim como as matérias-primas ouro e prata ganharam brilho adicional.

Nos últimos 30 dias repetiu-se o desnível de interesse entre empresas de grande capitalização e as de baixo-médio valor em bolsa, com as primeiras a saírem vencedoras tal como tem sido recorrente há já uns anos. Contudo, e devido ao facto de ter apanhado a earnings season, o registo não foi tão linear. Registaram-se exemplos interessantes, como no caso das tecnológicas. A Intel, por exemplo, cedeu quase -19% por causa dos resultados anunciados, mas também há que realçar a Microsoft, que foi uma das mais procuradas em 2019, mas que agora aparenta estar em fase de consolidação, fechando o mês praticamente inalterada.

Do lado dos vencedores temos nomes como a Apple, Amazon, Berkshire Hathaway, Procter & Gamble, Walmart, Bank of America e, claro, a Tesla, que com mais 28% de valorização continua a desafiar as leis dos fundamentais, enquanto as perdas visitaram alguns nomes conhecidos da praça, como a Gilead, Eli Lilly e Novartis, denotando um movimento de consolidação no sector da saúde, que se verificou em boa parte das biotecnológicas. No segmento industrial, a Boeing e quase todas as principais exportadoras de petróleo também foram afectadas pela pressão vendedora adicional.

Mas se isto foi o passado, como será o próximo mês, já em plena época de férias para uma boa parte dos investidores? A verdade é que, para além de uma tendência ascendente que está subjacente no mercado, como tem estado nos últimos anos, com excepção de um mês ou outro, os temas em cima da mesa são conhecidos.

Estímulos nos EUA – agora que o Congresso norte-americano se apressa para aprovar um novo pacote que substitua o que expirou na sexta-feira –, ao passo que na Europa poderemos ter mais visibilidade sobre o acordo alcançado entre os membros da União Europeia, com vista a apoiar as regiões mais afectadas pela crise resultante da pandemia de Covid-19.

O progresso da pandemia será igualmente um ruído constante, seja pelo aparecimento de promessas de tratamento ou vacinas, seja pelo impacto económico que poderá causar consoante a sua evolução próxima, sendo de notar que no final do mês e com o aproximar do fim do Verão a questão de uma nova vaga poderá vir ao de cima. Para além disso, e com o aproximar das eleições presidenciais nos EUA, será difícil que as movimentações políticas de Trump não comecem a ter mais visibilidade, quer ao nível da guerra comercial quer de qualquer outro tema interno, é provável que a volatilidade seja mais premente na segunda metade de Agosto.

Nos restantes mercados, as grandes questões são simples: até onde poderão ir o EUR/USD e o preço do ouro, sendo que o segundo está fortemente correlacionado com o primeiro. Serão, certamente, tal como o petróleo, os activos com maior monitorização nas próximas semanas.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é semanal.

 

 

O principal par de moedas tem uma zona de trading entre as linhas azul e laranja, que replicam inversamente o movimento de há dois anos, sensivelmente por esta altura do ano.

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