Trabalhar no estrangeiro é incentivo nas TI

Em vez de ginásios, restaurantes ou outros benefícios, as empresas ‘tech’ captam os jovens com uma experiência internacional e rendimentos muito acima daqueles que são pagos em Portugal.

Jovem, formado em engenharia informática e dois anos de experiência no setor das tecnologias de informação na bagagem. Eis o perfil de muitos portugueses em busca de experiências internacionais, mais salário e melhores incentivos extrassalariais, que deixaram o país numa escolha pensada que lhes permite expandir conhecimentos e arriscar um estilo de vida diferente noutro país.

Esta tendência, muito em voga nos dias que correm, faz com que os típicos benefícios extrassalariais oferecidos pelas empresas para captar e reter profissionais estejam, cada vez mais, a ser substituídos por experiências profissionais amplificadas. Ou seja, ao invés de oferecerem mensalidades de ginásios, restaurantes ou outros benefícios semelhantes, as empresas de tecnologias de informação (TI) conseguem agrupar tudo isto com uma experiência internacional, onde o rendimento pode ser duas ou três vezes mais quando comparado com o de um colaborador sediado em Portugal.

A qualidade e a ambição dos engenheiros informáticos portugueses trouxe uma nova dinâmica à forma como as empresas cativam os seus futuros colaboradores, substituindo benefícios extrassalariais típicos, pelas novas tendências de um mundo cada vez mais interligado.

Atrativos de mobilidade
Para os engenheiros portugueses é cada vez mais importante aumentar a experiência profissional. O mercado das tecnológicas está atento e os exemplos multiplicam-se. O processo começa na entrevista, conforme explica Teresa Gândara, Human Capital Director da Noesis, ao Jornal Económico: “na maioria dos casos, o processo de recrutamento inicia-se já com o propósito de recrutar talento para uma operação internacional. Noutros casos, nasce no seio das equipas de projeto, em que determinados consultores se destacam no projeto ou na relação com o cliente, e essa acaba por ser uma evolução natural”.

Ainda assim, as oportunidades não se resumem apenas aos colaboradores jovens, adianta esta responsável. Através de processos de avaliação e progressão de carreira internos, a Noesis também identifica colaboradores que tenham e demonstrem a ambição de desenvolver uma carreira internacional.

Ana Lino, Business Manager Bluepanda, explica ao Jornal Económico que é durante a entrevista que se percebe a predisposição dos candidatos: “Damos essa indicação. Perguntamos à pessoa se está disponível para viajar e, se sim, com que frequência, se gostava de viver no estrangeiro ou não e, mediante esse tipo de opções, ficamos a saber o que é que podemos propor ao cliente”.

Ou seja, em função da disponibilidade demonstrada, a Bluepanda consegue direcionar os futuros colaboradores para as áreas e experiências profissionais que pretendem. “Não contratamos uma pessoa que diga que quer estar totalmente em Portugal, para um cliente que queira um funcionário a 100%, por exemplo, na Holanda. Isso não acontece. Temos o cuidado de olhar para a preferência do funcionário e fazer ‘match’ com aquilo que o cliente precisa”.

Ganhar mais, ter casa e despesas pagas é, muitas vezes, “o fator” determinante na tomada de decisão de ir viver e trabalhar para o estrangeiro, sendo que se trata de um benefício transversal a todas as empresas. Tanto no caso da Bluepanda como da Noesis, este é sem dúvida um dos aspetos mais importantes na hora de cativar um candidato.

“Os colaboradores que estão em Portugal e que são alocados a projetos internacionais, seja em regime de expatriamento, seja em estadias de curta duração, beneficiam de condições adicionais às suas condições base, o que faz com que, globalmente, aufiram rendimentos superiores aos que aufeririam se se mantivessem a trabalhar em Portugal”, salienta Teresa Gândara.

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