A Ucrânia e os Estados Unidos chegaram a um acordo para a exploração das chamadas terras raras e da restante riqueza mineral do país invadido pela Rússia – revela o jornal norte-americano ‘Financial Times’. O jornal ucraniano ‘Kyiv Independent’, na sua edição online, avança com a mesma notícia, citando Olha Stefanishyna, vice-primeira-ministra e ministra da Justiça da Ucrânia, que já esta terça-feira tinha afirmado na cimeira que assinalou os três anos de invasão.
Também o gabinete do presidente Volodymyr Zelensky confirmou ao ‘Kyiv Independent’ que o acordo foi alcançado. As negociações em torno do acordo alimentaram tensões entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Zelensky ao longo dos últimos dias.
Segundo o ‘Financial Times’, a Ucrânia garantiu termos mais favoráveis e estruturou o acordo como uma forma de fortalecer os laços com os Estados Unidos – o que foi desde a primeira hora a preocupação do gabinete de Zelensky. O presidente ucraniano deverá agora ir a Washington em breve para uma cerimónia de assinatura nas próximas semanas, algo que a vice-primeira-ministra já tinha referido como provável.
A versão final do acordo, datada de 24 de fevereiro, estabelece um fundo para o qual a Ucrânia contribuirá com 50% dos rendimentos da “monetização futura” de recursos minerais estatais, incluindo petróleo, gás e a gestão de infraestruturas relacionadas. O fundo investirá em projetos no interior do território da Ucrânia.
Segundo o jornal ucraniano, o acordo exclui recursos que já contribuem para o orçamento do Estado da Ucrânia, o que significa que não cobrirá as operações da Naftogaz e da Ukrnafta, as maiores produtoras de petróleo e gás do país. Aparentemente, o acordo não é explícito sobre garantias de segurança prestadas pelos Estados Unidos, nas quais Kiev havia insistido inicialmente.
O último rascunho do acordo deixa de lado as exigências anteriores dos Estados Unidos de reivindicar o pagamento de supostos 500 mil milhões de dólares sobre os recursos naturais da Ucrânia, o que era um grande ponto de discórdia entre as duas partes.
A propriedade conjunta será determinada com base em contribuições financeiras reais e, embora a gestão seja partilhada, os norte-americanos terão autoridade para tomar decisões sob as suas próprias leis. As questões da participação dos EUA no fundo e os termos de “propriedade conjunta” serão abordados em acordos de acompanhamento, de acordo com o Financial Times.
Zelensky tinha rejeitado a proposta dos Estados Unidos, citando a falta de garantias de segurança e opondo-se à estrutura de pagamento, que exigia que a Ucrânia devolvesse dois dólares para cada dólar recebido em ajuda. O governo Trump aumentou a pressão sobre a Ucrânia para finalizar o acordo nas últimas semanas, com Trump a atacar Zelensky publicamente. Aparentemente, valeu a pena – pelo menos na ótica da Casa Branca.
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