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Ucrânia: ministros da Justiça e da Energia expulsos do governo

No meio a uma mega-investigação em curso sobre corrupção nos mais altos cargos do governo, o presidente Volodymyr Zelensky aceitou a renúncia, que exigiu, dos ministros e lançou sanções sobre os culpados.
13 Novembro 2025, 07h00

O presidente ucraniano exigiu a renúncia dos dois ministros que foram visados pela mega-investigação em curso sobre mais um episódio de corrupção a manchar o governo do país – que pode ascender aos 100 milhões de euros de fundos desviados. O ministro da Justiça, Herman Halushchenko ( e ex-ministro da Energia no início deste ano), e a ministra da Energia, Svitlana Hryshchuk, apresentaram as suas renúncias após a revelação da grande investigação, anunciou a primeira-ministra Yulia Svyrydenko. No dia anterior, quando a investigação foi conhecida, Zelenskyydisse que “eles não podem permanecer no cargo. É uma questão de confiança”. “A decisão de destituí-los do cargo é operacional, a mais rápida possível. Solicitei ao primeiro-ministro da Ucrânia que peça a renúncia desses ministros”, explicou, sabendo que a investigação e a suposta culpabilidade dos ministros é mais uma mancha na reputação da Ucrânia e um golpe na confiança dos países que apoiam o esforço de guerra contra a Rússia.

A primeira-ministra Svyrydenko também afirmou que o governo iniciou um processo de sanções contra Oleksandr Tsukerman e Timur Mindich, ex-sócio e colaborador próximo de Zelensky – a quem o presidente entregou a posse das suas empresas quando foi eleito para o cargo que ocupa. Espera-se que Zelensky assine as sanções, que entrarão em vigor após aprovação por parte do conselho, refere a imprensa ucraniana.

Halushchenko foi ministro da Energia da Ucrânia pela primeira vez em 2021 e, em julho deste ano, foi nomeado ministro da Justiça. A investigado pelo Gabinete Nacional Anticorrupção (NABU) investiga um esquema de corrupção em larga escala envolvendo a Energoatom. Halushchenko disse que apoia a decisão do governo de o suspender, acrescentando que tinha conversado com o primeiro-ministro. “Concordo plenamente: primeiro é preciso tomar uma decisão política, e só depois devemos tratar de todos os detalhes”, disse nas redes sociais. “Acredito que a suspensão durante a investigação é uma medida civilizada e adequada. Defender-me-ei no âmbito jurídico e provarei a minha posição”, que não especificou

O governo ucraniano também anunciou sua decisão de dissolver o conselho de supervisão da Energoatom. Ao mesmo tempo, a NABU acusou oito pessoas por envolvimento no caso – envolvendo subornos, abuso de poder e enriquecimento ilícito. Segundo o gabinete, o principal organizador do alegado esquema de corrupção é Timur Mindich, que chegou a ser coproprietário da Kvartal 95, uma produtora fundada e parcialmente detida por Zeelensky antes de se candidatar à presidência, que de forma algo surpreendente – era um comediante e não um político – venceu.

Segundo a agência Euronews, o procurador anticorrupção Serhiy Savytskyi (líder do Gabinete do Procurador Especializado Anticorrupção, SAPO), afirmou em audiência judicial esta terça-feira que Mindich teria cometido um crime ao influenciar Halushchenko. O NABU afirmou que a investigação durou 15 meses e resultou em 1.000 horas de escutas telefónicas e 70 buscas.

Segundo fontes do jornal ‘Ukrainska Pravda’, Tsukerman também está a ser investigado nos Estados Unidos por um caso de lavagem de dinheiro. Mindich e Tsukerman foram avisados das ações desta semana do Gabinete ​​e deixaram o país antes de serem acusados. O SAPO iniciou uma investigação interna para apurar quem foram os responsáveis que permitiram a fuga dos dois implicados.

Entre os visados pelas investigações estão também o ex-vice-primeiro-ministro Oleksiy Chernyshov, e Rustem Umerov, ex-ministro da Defesa e atual secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa.

O indiciado é Ihor Myroniuk, conhecido como ‘Rocket’ nas escutas que serviram de base à investigação. É um ex-conselheiro do então ministro da Energia, Halushchenko, e ex-vice-diretor do Fundo Estatal de Propriedade, que já trabalhou como assessor de Andrii Derkach, um ex-parlamentar ucraniano que foi acusado de alta traição e é atualmente senador russo. Dmytro Basov, identificado como ‘Tenor’ nas escutas, também foi indiciado, sendo um ex-promotor e ex-chefe do departamento de segurança da Energoatom – a empresas de energia nuclear da Ucrânia. De acordo com o NABU, outras quatro pessoas indiciadas trabalhavam num escritório paralelo usado para lavagem de dinheiro. Uma delas é o empresário Oleksandr Tsukerman, conhecido como ‘Sugarman’, segundo uma fonte policial citada pelo jornal ‘Kyiv Independent’.


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