Alunos portugueses são caso de sucesso na OCDE

Em 20 anos de PISA, Portugal tem tido um percurso muito positivo na Leitura, Ciências e Matemática. Novo desafio: esbater as assimetrias nos resultados dos alunos de diferentes estratos socioeconómicos.

Este é ano de PISA – Programme for International Students Assessment, o maior teste na área da Educação que avalia a literacia de alunos de 15 anos em Leitura, Ciências e Matemática. E os resultados estão aí. No geral, mostram que os alunos portugueses estão ligeiramente melhor do que a média da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico) e continuam a ser dos que protagonizam maior evolução. Nesta edição, Portugal participou com 276 escolas e 5.932 alunos de todas as regiões. Em 2015 tinham sido 7.325.

Os dados, referentes a 2018, mostram que 77% dos portugueses atinge, pelo menos, o nível 2 a Matemática, estando praticamente em linha com a média da OCDE, que é de 76%. Já a percentagem de alunos de topo supera a média da OCDE (11%), com um registo de 12%. O desempenho é muito idêntico na Leitura: 80% dos alunos portugueses atinge, pelo menos, o nível 2, acima dos 77% de média da OCDE. Neste domínio, a percentagem de alunos de topo, que obteve níveis de 5 e 6, foi de 7%, abaixo dos 9% de média da OCDE.

A Ciências, 80% dos estudantes portugueses obtiveram resultados de, pelo menos, nível 2, ou seja, ficaram também ligeiramente acima da média da organização, que é de 78%.

Explique-se a importância do nível 2. Corresponde ao mínimo de exigência nos critérios de avaliação de competências usados pela OCDE. Abaixo deste nível, os alunos só têm sucesso na compreensão do significado literal de frases de pequenos trechos, ou na identificação do tema principal de um texto. Sintetizando e comparando os resultados da avaliação de 2018 com os de 2015 – o teste faz-se a cada três anos –, na Leitura e na Matemática verifica-se uma estabilização, ao passo que nas Ciências se verifica uma ténue descida no desempenho.

 

Resultados globais vs. resultados individuais
Uma coisa é o resultado global, que se traduz naquelas médias, outra é a realidade individual de cada participante. O estudo evidencia que o desempenho dos alunos é condicionado pelo seu contexto socioeconómico e cultural. Na Leitura, por exemplo, existe uma diferença de 95 pontos entre os portugueses mais favorecidos e os menos favorecidos.

“Em Portugal, a probabilidade de um aluno de entre os 25% mais desfavorecidos obter uma pontuação abaixo do nível 2 de proficiência é aproximadamente três vezes maior do que a de um aluno com estatuto socioeconómico superior obter essa pontuação”, lê-se nas conclusões do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), responsável pela aplicação do PISA em Portugal. Na comparação internacional, o efeito do estatuto socioeconómico em Leitura “é maior em Portugal do que no conjunto dos países da OCDE”, realça o mesmo relatório.

Ainda na Leitura, o PISA 2018 mostra que as raparigas têm desempenhos superiores aos dos rapazes, não só em Portugal, mas em todo o mundo. Já os resultados dos alunos do ensino público e das escolas privadas são muito semelhantes, tanto na Leitura como nas Ciências.

De assinalar também que existe uma diferença de desempenho entre os alunos de 15 anos que estão mais avançados e os que se atrasaram. Os que frequentam o 7º e o 8º ano têm “resultados significativamente mais baixos” que aqueles que estão no 9º e no 10º.

 

Asiáticos dominam
Ao longo dos 20 anos de participação no PISA, Portugal destaca-se no grupo dos 79 países e economias que apresenta um progresso consistente nos três domínios avaliados: Leitura, Ciências e Matemática. Os outros seis casos de sucesso são a Albânia, a Colômbia , Macau, República da Moldávia, Peru e Qatar.

O PISA 2018 avaliou 600 mil alunos e concluiu que o país que lidera nas três áreas é a China, que não integra a OCDE, mas que participa nesta avaliação através de regiões. O primeiro lugar da lista pertence à região de Pequim-Xangai-Jiangsu-Shejiang e o terceiro à Região Administrativa Especial de Macau. No meio está Singapura.

A Estónia é o país mais bem posicionado da OCDE e da Europa. E isto não obstante um nível de despesa no sistema de ensino 30% inferior à média da OCDE. Ocupa o quarto lugar na Leitura e nas Ciências, e o oitavo na Matemática. Nesta área, além das três regiões acima referidas, este pequeno país do Báltico tem à sua frente e por esta ordem: Hong Kong, Taiwan, Japão e Coreia do Sul. No ocidente, Reino Unido e Alemanha são as primeiras grandes economias a destacar-se, integrando o top 20 na Leitura, Ciências e Matemática.

Ler mais
Recomendadas

Portugal tem o 22.º melhor MBA da Europa

No ranking do Financial Times de 2020, o programa da Católica-Lisbon e Nova SBE averba a melhor experiência internacional no mundo.

Aluno do ISEG vence Prémio António Simões Lopes

Atribuído pela Ordem dos Economistas, o prémio distingue as teses de doutoramento na área das Ciências Económicas e Empresariais, aprovadas em provas públicas em universidades portuguesas.

“Mobilizar uma equipa com várias competências é o maior desafio das startups”, diz professor da Nova

O Programa de Empreendedorismo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova começa esta terça-feira. Lisboa recebe Frank Rimalovski, diretor do Instituto Empreendedor da New York University, para dar ‘luzes’ aos alunos sobre como materializar uma ideia.
Comentários