A China joga claramente ao ataque na maior montra do ensino superior e da investigação do mundo: os rankings.
Edição a edição sobe degraus a um ritmo imparável, cumprindo a palmo a aposta estratégica do líder Xi Jinping para quem o poder global da nação depende do seu domínio científico.
No arquirrival, Estados Unidos, as universidades e a investigação são estratégicas há décadas ou eram, pelo menos, até Donald Trump chegar à Casa Branca. Não deixa de ser irónico que o presidente que foi eleito para tornar a América grande outra vez (Make America Great Again) não pare de encolher o sistema do conhecimento que deu a liderança ao país.
A Universidade de Harvard, instituição com mais vencedores do Prémio Nobel do mundo, que cobre áreas como Química, Medicina, Física e Literatura, com a qual Trump iniciou uma guerra sem tréguas, está na rota do confronto geoestratégico dos ‘rankings’.
No CWTS Leiden Ranking, Harvard foi há duas edições ultrapassada pela Universidade de Zhejiang, de Hangzhou. O ‘ranking’ produzido pelo Centro de Estudos de Ciência e Tecnologia (CWTS) da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, é um dos principais do mundo na avaliação da investigação universitária, com o foco em publicações e citações.
Um olhar pelo top 25 mostra um domínio absoluto da bandeira vermelha com cinco estrelas amarelas no canto superior esquerdo. Na viragem do milénio, este ‘ranking’ global baseado em produção científica publicada mostrava sete norte americanas no top 10, com Harvard à cabeça. A agora líder Zhejiang figurava no top 25. Nesta edição estão sete chinesas entre as primeiras 10.
No THE World University Rankings 2026, que tem ‘rankings’ específicos como o Impact Rankings para sustentabilidade e qualidade da investigação, a República Popular da China alcança a sétima maior pontuação em qualidade de pesquisa entre as 32 nações com pelo menos 20 universidades classificadas.
Na análise de Phil Baty, do Times Higher Education, o problema não é a queda na produção científica das norte americanas, mas o aumento da produção das chinesas. Citado pelo “The New York Times”, antecipa: “Está em marcha uma grande mudança, uma espécie de nova ordem mundial no domínio global do ensino superior e da investigação”.
Impávido e sereno, Trump continua a cortar dezenas de milhões de euros de financiamento público à investigação, a proibir viagens e a restringir a entrada a estudantes e académicos estrangeiros. A China aproveita o flanco. Este outono começou a oferecer um visto para graduados das principais universidades de ciência e tecnologia do mundo. E lança a cenoura: venham para estudar ou para fazer negócios!
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