Visita dos Estados Unidos a Taiwan motiva tensões com a China

“Taiwan tem sido um modelo de transparência e cooperação na saúde global durante a pandemia e muito antes dela”, apontou o secretário da Saúde dos EUA que visitará a região onde surgiu o coronavírus nos próximos dias

REUTERS/Lucas Jackson

O secretário da Saúde dos Estados Unidos, Alex Azar, anunciou que vai visitar Taiwan, algo que não agradou à China que pediu aos EUA que não enviassem “sinais errados aos separatistas em Taiwan”, avança o jornal “The Guardian” esta quarta-feira, 5 de agosto.

“Espero transmitir o apoio do presidente Trump à liderança global de saúde em Taiwan e enfatizar a nossa crença compartilhada de que as sociedades livres e democráticas são o melhor modelo”, referiu Alex Azar que sublinhou ser a primeira pessoa do governo americano a visitar Taiwan nos últimos seis anos. A última autoridade do governo dos EUA a visitar Taiwan foi Gina McCarthy, administradora da Agência de Proteção Ambiental, em 2014.

“Taiwan tem sido um modelo de transparência e cooperação na saúde global durante a pandemia e muito antes dela”, apontou Alex Azar.

James Moriarty, embaixador reformado dos EUA responsável pelo Instituto Americano em Taiwan, vai reunir-se com Alex Azar e juntos vão discutir “a resposta da Covid-19, a saúde global, a parceria EUA-Taiwan e o papel de Taiwan como fornecedor global confiável de equipamentos médicos e tecnologia crítica”.

De acordo com o “The Guardian”, Taiwan informou que a visita acontecerá nos próximos dias e durante o encontro Alex Azar também vai estar com o presidente Tsai Ing-wen. “A sua visita oportuna é mais um testemunho da forte parceria entre Taiwan e EUA, baseada na nossa longa amizade e valores compartilhados”, partilhou Tsai Ing-wen no Twitter.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan assegurou ainda que “Taiwan e os EUA são parceiros com a mesma opinião, cooperando estreitamente no combate ao coronavírus e promovendo a liberdade, a democracia e os direitos humanos em todo o mundo”, afirmou.

Por outro lado, a visita da delegação dos EUA já está a alimentar tensões com a China, que reivindica Taiwan como sua. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China garantiu esta quarta-feira opor-se firmemente ao encontro entre os EUA e Taiwan, e os órgãos de comunicação social chineses, citados pelo “The Guardian”, informaram que a China pediu aos EUA “que não enviassem sinais errados aos separatistas de Taiwan”.

A resposta de Taiwan à Covid-19, onde surgiu o vírus, tem sido considerada uma das mais bem-sucedidas, enquanto os EUA continuam a relatar vários novos casos por dia. Os EUA prestaram assistência a Taiwan na forma de venda de armas e têm uma presença crescente no mar do Sul da China.

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