Web Summit. Membro da Comissão Federal de Eleições desvaloriza “teoria da conspiração” sobre fraude eleitoral

Ellen Weintraub sublinhou que a polarização de Washington se faz sentir sobretudo numa agência dividida a meio entre os dois partidos e que as declarações do presidente da Comissão não são censuráveis, mas preocupam-na por “não terem qualquer tipo de fundamento”.

Ellen Weintraub, membro da Comissão Federal de Eleições (FEC) dos EUA, mostrou-se confiante na integridade das eleições norte-americanas, lembrando que a grande maioria dos processos judiciais da equipa de advogados Trump que estão a contestar as eleições têm sido imediatamente descartados. Esta ideia foi manifestada num painel desta sexta-feira na Web Summit.

Focado no tema da segurança eleitoral nos EUA, Ellen Weintraub desvalorizou as declarações do presidente da FEC, recordando que o cargo é maioritariamente administrativo e rotativo anualmente entre os comissários republicanos e democratas.

“Por um lado, acho que não há problema com os comissários se pronunciarem sobre qualquer coisa relacionada com eleições – eu própria já o fiz –, pelo que não culpo o meu colega por abordar o tópico de fraude eleitoral”, começou por dizer a advogada que serve como comissária desde 2002. “O que me preocupa é que ele parece estar a acreditar numa teoria da conspiração sobre fraude eleitoral sem qualquer tipo de fundamento.”

Ellen Weintraub recordou ainda que as declarações de James “Trey” Trainor, o advogado apontado como presidente da comissão no início deste ano pelo presidente Trump, não eram acompanhadas de provas concretas.

“A sua base para acreditar [na teoria de fraude eleitoral] é que é um velho amigo de um dos advogados que está a avançar com os processos”, acrescentou.

Antes, a comissária havia abordado a dificuldade de atingir compromissos na FEC, algo que não era comum antes de 2008. O órgão é composto por seis membros, três de cada lado do binómio político norte-americano (atualmente, um dos membros é independente, mas costuma votar do lado dos democratas), pelo que a necessidade de compromisso de cada um dos lados é grande.

“Focamo-nos sobretudo no lado do financiamento das campanhas”, começou por explicar, referindo que, quando a agência foi criada, havia receio que as votações fossem frequentemente divididas pelas linhas ideológicas. No entanto, ambos os lados se aperceberam rapidamente que, caso quisessem uma monitorização do outro lado, teriam de estar dispostos a insurgir-se contra as más práticas dentro do seu próprio partido.

“O que aconteceu a partir de 2008 foi que entrou um grupo novo de comissários mais ideologicamente rígidos”, recorda, explicando que tal é um reflexo “da maior polarização e partidarização em Washington, e se vamos ver isso manifestar-se nalgum lado, é numa agência igualmente repartida”.

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