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BPI com lucros de 274 milhões no primeiro semestre a caírem 16%

Em Portugal, o BPI registou um lucro de 241  milhões a caírem 10%, refletindo descida das taxas de juro decorrente do repricing do crédito com indexantes mais baixos. A rentabilidade dos capitais próprios tangíveis (ROTE) recorrente em Portugal ascendeu a 16,6%.
O presidente Executivo do Banco BPI e membro da Comissão Executiva do Conselho de Administração, João Pedro Oliveira e Costa (C), intervém na apresentação dos resultados do 1º trimestre de 2025 do BPI, em Lisboa, 05 de Maio de 2025. RODRIGO ANTUNES/LUSA
31 Julho 2025, 11h12

O BPI registou um resultado líquido de 274 milhões de euros, a caírem 16% num ano. Sendo que em Portugal, o BPI registou um lucro de 241  milhões a caírem 10%, refletindo descida das taxas de juro decorrente do repricing do crédito com indexantes mais baixos. A rentabilidade dos capitais próprios tangíveis (ROTE) recorrente em Portugal ascendeu a 16,6%.

O BPI revelou que registou um crescimento homólogo de 7% no crédito e de 6% nos recursos de clientes. Mas, o crescimento do volume de negócios não foi suficiente para compensar o impacto negativo da descida das taxas de juro de mercado sobre a margem financeira, que caiu 10% para 441,3 milhões de euros, tendo o produto bancário registado uma redução homóloga de 9% para 665,4 milhões de euros. A queda do produto bancário foi ajudada pela queda da receita com comissões  de 11% para 149,9 milhões de euros. O CEO do BPI explicou que a queda das comissões deve-se a uma estratégia de competitividade comercial, mas realçou que em termos recorrentes as comissões só caíram 1%.

O produto bancário em Portugal caiu 8% para 614 milhões o que inclui o impacto da reversão das contribuições do Adicional de Solidariedade sobre o Sector Bancário pagas em exercícios passados de 18 milhões de euros. Isto depois de ter sido considerado inconstitucional.

Os custos estrutura caíram 7% para 253,5 milhões euros, sendo que os custos recorrentes mantiveram-se estáveis (+1%) fixando-se em 253,2 milhões de euros.

O rácio de eficiência (cost-to-income) fixou-se nos 38%.

O banco do CaixaBank disse que o rácio de Non-performing exposures (NPE, critérios EBA) do BPI mantém-se em mínimos históricos, de 1,3%, e a cobertura por imparidades ascende a 93%. O rácio de Non-performing loans (NPL, critérios da EBA) situa-se nos 1,7%.

As imparidades de crédito líquidas de recuperações ascenderam a 28  milhões de euros no 1º semestre 2025 (+24 milhões de euros num ano), mantendo-se o custo do risco de crédito em níveis baixos nos 0,16% em percentagem da carteira de crédito, nos últimos 12 meses (versus 0,06% em junho 2024).

Os rácios de capital  CET1 e capital total de de 14% e de 17,4% respectivamente.

O BPI cumpre por margem significativa os requisitos mínimos exigidos pelo Banco Central Europeu (BCE), incorporando o impacto das regras de Basileia IV que entraram em vigor no início de 2025. O BPI cumpre os rácios de MREL  em percentagem dos RWA (ativos ponderados pelo risco) que se situa em 26,8%, versus o requisito de MREL de
25,19%. Já o rácio MREL em percentagem da LRE (Leverage Risk Exposure) é de 12,7%, versus o requisito
de 5,91%.

“O banco mantém uma forte evolução na captação de poupanças, com destaque para os fundos de investimento e outros recursos, que cresceram 12%”, refere o BPI.

No balanço, a carteira total de crédito a clientes (bruto) aumentou 7%, para 32,4 mil milhões de euros, o que corresponde a um incremento homólogo de 2 mil milhões de euros. A quota de mercado em crédito manteve-se estável (12% em maio de 2025).

A contratação de novo crédito à habitação no primeiro semestre de 2025 atingiu 1,9  mil milhões, o que corresponde a um aumento homólogo de 54% e a uma quota de mercado de produção de 17,4% (de janeiro a maio de 2025). No total, a carteira de crédito à habitação aumentou 10% para 16,2 mil milhões de euros e a uma quota de mercado na carteira aumentou 40 bps  num ano, para 14,8% em maio de 2025.

Crédito à habitação com garantia pública perto de ser esgotada

De registar que no semestre o BPI celebrou 2,5 mil contratos com garantia pública ao crédito habitação jovem, tendo sido concedidos empréstimos no valor total de 467 milhões de euros, disse hoje o banco.

“Concedemos quase 2 mil milhões em novo crédito à habitação, dos quais 467 milhões se referem a empréstimos com garantia para jovens, um segmento onde o banco tem feito um investimento significativo”, refere o CEO, João Pedro Oliveira e Costa. O administrador Francisco Matos explicou na conferência de imprensa que já esgotaram 62% do limite que lhes foi atribuído pelo Estado relativo à garantia pública para crédito à habitação jovem. Se forem acrescentados os contratos que já estão em vias de concretização, a execução sobe para 90%.

O BPI utilizou 62% da sua quota disponível para a garantia pública no crédito à habitação para jovens até aos 35 anos, tendo financiado 2.500 contratos com este programa,  foi anunciado.

Recorde-se que ao BPI coube de quota da garantia de 1,2 mil milhões de euros cerca de 150 milhões de euros.

Questionado, o CEO admite pedir um reforço da garantia ao Estado, pois ficou surpreendido com o sucesso da medida.

A garantia pública para o crédito à habitação a jovens até 35 anos (inclusive) aplica-se a contratos assinados até final de 2026 e permite ao Estado garantir, enquanto fiador, até 15% do valor da transação.

O Governo definiu o montante máximo da garantia pública em 1.200 milhões de euros, sendo distribuída uma quota a cada banco, mas abriu a possibilidade de esse valor ser reforçado se os bancos o esgotarem e se pedirem esse reforço.

“Também crescemos 8% no financiamento às PME e concedemos cerca de 600 milhões de euros de financiamento sustentável, o que reflete o nosso compromisso com os desafios de transformação das nossas empresas e da transição sustentável”, acrescentou.

No domínio social, o Banco, através do programa BPI Voluntariado e da cooperação permanente com a Fundação la Caixa, manteve o compromisso de apoiar projetos de transformação social que nos permitam construir uma sociedade melhor e mais justa, em especial para os grupos mais vulneráveis”, disse o CEO.

(atualizada)

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