O neerlandês Mark Rutte, secretário-geral NATO – que tem afirmado que a questão da Gronelândia não é tão disruptiva quanto os europeus parecem supor – disse esta manhã em Davos que “a questão principal não é a Groenlândia, mas sim a Ucrânia”. “Estou um pouco preocupado que possamos deixar a desejar ao nos concentrarmos nessas outras questões”, disse, num painel no Fórum Económico Mundial que discutia a defesa europeia. “Este foco na Ucrânia deve ser a nossa prioridade número um. A Ucrânia deve vir em primeiro lugar porque é crucial para a segurança europeia e norte-americana.”
Rutte disse ainda não ter dúvidas de que os Estados Unidos viriam em defesa da Europa, se necessário: “Precisamos uns dos outros para a nossa proteção mútua”. Aliás, o secretário-geral da NATO – por muitos considerado pouco mais que um ‘moço de recados’ de Donald Trump, como é o caso do analista Francisco Seixas da Costa – tratou de atribui a Trump o mérito de ter pressionado os membros europeus da organização a aumentarem os seus gastos militares, afirmando que isso não teria acontecido de outra forma. “Se nós, europeus aqui na NATO, pensamos que, por causa do empréstimo de 90 mil milhões de euros que a Comissão conseguiu reunir ou porque o processo de paz está a avançar na direção certa, podemos esquecer a defesa da Ucrânia, não o façamos”. Eles precisam do nosso apoio agora, amanhã e depois de amanhã.”
Numa cimeira que está focada naquilo que Donald Trum, que já chegou à Suíça, dirá sobre a Gronelândia, Rutte parece estar a tentar ‘desfocar’ a questão e por isso baralhando o que foi a opção dos líderes europeus ao longo dos dois últimos dias – com todas as intervenções a dirigirem-se para o tema da ilha. Os analistas parece terem ficado um pouco desconcertados com a intervenção de Rutte – com alguns a colocarem a hipótese de Trump mais uma vez surpreender tudo e todos e reservar o foco da sua intervenção para outra questão que não a Gronelândia.
Não é isso, contudo, que os analistas estão à espera. O objetivo inicial de Trump ao ir a Davos era exaltar a força da economia norte-americana num momento em que as sondagens de opinião mostram que os americanos estão amplamente insatisfeitos com a sua gestão da economia, refere um analista citado pela agência Reuters. Do seu lado, a Casa Branca informou que o discurso do presidente incluiria referências a um plano para lidar com o aumento do custo da habitação. “O presidente Trump apresentará iniciativas para reduzir os custos da habitação, destacará a sua agenda económica que impulsionou os Estados Unidos a liderar o crescimento mundial e enfatizará que os Estados Unidos e a Europa devem deixar para trás a estagnação económica e as políticas que a causaram”.
Mas, perante esta extravagante agenda, os analistas recordam que Trump tem o hábito de se desviar dos assuntos ‘oficiais’ quando fala em público e pode acabar a debater uma série de questões que têm estado em sua mente nos últimos dias. Esses temas incluem a Gronelândia, as tarifas alfandegárias, o seu desprezo generalizado pela Europa e a sua proposta de criação de um Conselho de Paz, que foi recebida com frieza por diversos aliados tradicionais dos Estados Unidos, diz ainda a Reuters.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com