O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, já tinha avisado que seria difícil Mário Centeno vencer a corrida para número dois de Christine Lagarde no Banco Central Europeu. E assim foi: o ex-governador do Banco de Portugal e antigo ministro das Finanças ainda foi a uma segunda ronda, mas a candidatura cairia por terra perante a falta de apoio no Eurogrupo.
A escolha, que incidiu sobre o governador do banco central da Croácia, Boris Vujčić, foi rápida, e, por isso, Kyriakos Pierrakakis, presidente do Eurogrupo, disse estar satisfeito: “Diria que este é um sucesso muito importante, um sinal de maturidade institucional, tendo como pano de fundo um número excecional de candidatos e as experiências passadas, como a de 2012, em que foram necessários seis meses até se alcançar um consenso”, sublinhou o responsável na conferência de imprensa após a reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro, que decorreu esta segunda-feira em Bruxelas.
Acompanhado pelo comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, o presidente do Eurogrupo salientou ter sido alcançado “um acordo tanto sobre o processo como sobre a pessoa”, elogiou “as competências e a experiência de todos os candidatos”, e agradeceu “o interesse e o empenho demonstrados”.
Além da candidatura portuguesa, também a da Letónia (Mārtiņš Kazāks, governador do banco central) desistiu na segunda ronda, abrindo caminho para uma “final” entre o responsável croata e Olli Rehn, governador do banco central da Finlândia e ex-comissário europeu para Assuntos Económicos e Monetários.
Já antes tinham saído da corrida as candidaturas do governador do banco central da Estónia, Madis Müller, e do antigo ministro das Finanças da Lituânia, Rimantas Šadžius, de acordo com a Lusa.
Governador do Banco Nacional da Croácia há quase 15 anos, Boris Vujčić — visto como “falcão, defensor de uma política monetária rígida — teve de reunir apoios de pelo menos 16 dos 21 países da moeda única, representando, em simultâneo, um mínimo de 65% da população europeia. Segundo a agência de notícias, os países do alargamento foram importantes para a decisão.
O processo, no entanto, não fica por aqui. Esta terça-feira de manhã, Kyriakos Pierrakakis vai informar o Ecofin para que seja concluída a recomendação formal. E a decisão final será tomada pelo Conselho Europeu, após consultar o Banco Central Europeu e o Parlamento Europeu.
Se tudo correr como previsto, Boris Vujicic vai substituir o espanhol Luis de Guindos a partir de 1 de junho.
Miranda Sarmento tinha avisado
Antes da reunião do Eurogrupo, Joaquim Miranda Sarmento recordou que esta seria uma “eleição difícil”, ainda que mantivesse “alguma esperança”.
O ministro das Finanças referiu “as próprias regras”, porque estava em cima da mesa “uma maioria qualificada reforçada” e uma corrida com seis candidatos. “Portanto, é natural que nesta reunião possa haver várias rondas até se eventualmente chegar a um candidato que reúna esses requisitos”, disse Joaquim Miranda Sarmento à chegada à reunião do Eurogrupo.
Mas as dificuldades não ficavam por aí, apontou o ministro, tendo em conta que o atual vice-presidente é espanhol e que antes foi um português a ocupar o cargo — Vítor Constâncio, entre 2010 e 2018. “Há naturalmente equilíbrios regionais com os países do leste, com os países do Báltico que é necessário olhar”, avisou Joaquim Miranda Sarmento.
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