Avaliação da ‘performance’ de uma estratégia de investimento

O retorno de uma estratégia de investimento tem sempre de ser ajustado ao risco incorrido. Esta é a primeira consideração de uma avaliação.

Um investidor, dada a sua idiossincrasia e um conjunto de oportunidades de investimento, aloca recursos a uma estratégia de investimento. Periodicamente avalia, ou deve avaliar, a performance dessa estratégia. Tal é fundamental para que o investidor, ao longo do tempo, monitorize com rigor a eficiência e adequação da alocação dos seus recursos.

A primeira consideração aquando da avaliação de uma estratégia de investimento é a de que o seu retorno tem sempre de ser ajustado ao risco incorrido. Isto é crucial para o investidor perceber se o retorno obtido com a estratégia está acima ou abaixo do obtido por uma estratégia alternativa de risco equivalente.

O princípio orientador da diversificação numa carteira de investimentos é o de que, introduzindo ativos com correlações imperfeitas entre si, é possível alcançar um certo nível de retorno com menor risco. No entanto, nem todo o risco pode ser diversificado. Há uma dimensão de risco não diversificável, dita sistemática, na medida em que todos os ativos estão a ela expostos (com graus variados). A distinção entre risco não diversificável e diversificável é fundamental na escolha da métrica de avaliação de uma estratégia de investimento.

Consideremos duas métricas de performance bastante populares: Sharpe ratio e Treynor ratio. O Sharpe ratio mede o retorno em excesso obtido pela estratégia face ao retorno de um ativo sem risco, por unidade de risco total incorrido. O risco total (diversificável e não diversificável) é medido pelo desvio padrão dos retornos da estratégia. O Treynor ratio mede o retorno em excesso obtido pela estratégia face ao retorno de um ativo sem risco, mas por unidade de risco não diversificável incorrido. O risco não diversificável é medido pelo chamado coeficiente beta da estratégia.

Quando usar cada uma destas métricas? Se o investidor estiver a comparar a performance de duas estratégias que potencialmente representam a totalidade da sua carteira, então a perspetiva relevante é a do risco total. Devem, por isso, ser usadas medidas de avaliação que consideram o risco total, de que o Sharpe Ratio é um exemplo. Se, pelo contrário, as estratégias em análise são parte de uma carteira mais vasta, então a perspetiva do risco não diversificável é a relevante. E, por isso, métricas como o Treynor ratio devem ser usadas.

A segunda consideração quando se avalia uma estratégia de investimento respeita aos custos da sua implementação. É fundamental perceber quais os tipos de ativos (mais ou menos líquidos) com que a estratégia trabalha e, muito importante, a frequência de transações que a estratégia implica. Uma estratégia pode ser muito interessante no “banco de ensaio”, mas a sua execução pode implicar custos de transação tão elevados que anulam o interesse nessa estratégia.

A terceira consideração no processo de avaliação de uma estratégia respeita aos custos exógenos à estratégia, mas incontornáveis: comissões de gestão cobradas pelas entidades gestoras e impostos cobrados pelo Estado. Abordarei esta dimensão em artigo futuro.

Em síntese, a rigorosa avaliação da performance de uma estratégia de investimento encerra diferentes dimensões. A mensagem a reter é a de que o critério último deverá ser o retorno obtido pela estratégia ajustado (i) ao risco incorrido, medido na forma acertada, (ii) dos custos da implementação da estratégia, (iii) das comissões de gestão e impostos pagos.

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