A Câmara dos Representantes votou favoravelmente à destituição de Donald Trump por incitação à rebelião e insurreição, depois do voto desta quarta-feira. Esta é a primeira vez na democracia norte-americana que um presidente é alvo de um impeachment duas vezes no mesmo mandato. Isto significa que o processo passa agora para o Senado, onde será o presidente será julgado pelas acusações agora aprovadas na câmara baixa do Congresso.
O voto final contou com 10 representantes republicanos a votarem a favor do processo, que se juntaram à maioria democrata na contagem final, resultando numa contagem de 232-197 a favor da aprovação da resolução.
A líder da maioria democrata na Câmara dos Representantes começou a discussão sobre a resolução de destituição apelando à ação contra o presidente, a quem atribui a culpa pela “insurreição destes terroristas domésticos”.
“O presidente dos EUA incitou essa insurreição, esta rebelião armada contra o nosso país. Ele tem de ser removido, pois constitui um perigo atual e claro à nação que todos amamos” afirmou Nancy Pelosi. “Acho que o presidente tem de ser condenado pelo Senado, uma garantia constitucional que a nossa república estará segura deste homem que está tão determinado em destruir aquilo que nos é querido e que nos mantém unidos.”
“Eles não apareceram do nada. Foram enviados para aqui, enviados pelo presidente com palavras como um apelo a que «deem uma luta dos diabos». As palavras importam, a verdade importa, a responsabilização importa”, defendeu a representante democrata.
A bancada maioritária da câmara baixa do Congresso focou a sua atenção na invasão do Capitólio da semana passada, um elemento chave no processo agora movido ao presidente. Por outro lado, os republicanos evitaram o assunto, focando-se no ataque que tem sido feito ao presidente durante todo o seu mandato, argumentando que a responsabilidade do ataque ao edifício não pode ser imputa às palavras do presidente.
“Invadir o Capitólio foi do mais baixo possível, todos o denunciamos. Mas quem é que expulsam? O presidente, que criou crescimentos galopantes, fez salários crescer antes da pandemia, ergueu 400 milhas de muro para parar as caravanas, que tirou as tropas do médio Oriente e mostrou empatia pelas pessoas esquecidas do nosso país?”, questionou o representante Matt Gaetz, fervoroso apoiante de Trump que representa a Florida.
Gaetz fez eco de muitas das alegações infundadas de fraude eleitoral na eleição presidencial, falando de votos por eleitores já falecidos, problemas de tabulação e “preocupações inconstitucionais”.
No entanto, houve mais representantes republicanos a juntar-se aos cinco que, antes deste debate, haviam já revelado que votariam favoravelmente à destituição de Trump. Dan Newhouse, de Washington, foi o primeiro e defendeu que não pode continuar a “virar a cara a este brutal ataque à nossa república”, pelo que votará a favor da destituição.
Estes 10 republicanos juntam-se à lista encabeçada por Liz Cheney, a terceira figura na hierarquia republicana na Câmara e filha do antigo vice-presidente Dick Cheney, de membros do GOP que votarão a favor da proposta democrata.
Durante o debate, vários foram os representantes democratas que exortaram os seus colegas republicanos a votarem favoravelmente a proposta usando as palavras de Cheney, que afirmara mais cedo esta quarta-feira que “nunca antes tinha havido uma traição maior por um presidente dos EUA ao seu cargo” e à Constituição. A representante do Wyoming foi mesmo a mais citada nos discursos democratas.
É agora incerto o desfecho do julgamento do presidente no Senado, que é expectável que só comece depois da tomada de posse de Biden, algo que os seus defensores na Câmara dos Representantes sublinharam repetidas vezes. Ainda assim, Mitch McConnell, o líder da maioria republicana, terá ficado agradado com a iniciativa democrata de impeachment, que facilita a transição do Partido Republicano para o futuro.
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