Há carros que passam a vida na estrada. Outros parecem viver entre o asfalto e a oficina. Segundo um estudo da Kwik Fit Maintenance Index 2025, a maior empresa britânica de manutenção automóvel, o modelo mais popular da marca de Elon Musk, o Tesla Model 3, é também o campeão absoluto das trocas de pneus — liderando a tabela dos dez automóveis que mais pneus mudam por ano.
O estudo analisou dados de mais de dois milhões de veículos assistidos anualmente em mais de 600 centros da empresa. A ideia foi simples: perceber que carros desgastam mais rapidamente os seus pneus necessitando de trocas mais frequentes. Já conhece o campeão, o Tesla Model 3. O segundo lugar do pódio foi ocupado pelo Citroën Berlingo (24 regiões). O Tesla Model Y ficou em terceiro lugar (16 regiões), seguido de modelos como o Mercedes CLA, o Volvo XC40 e BMW Série 4.

Quanto à vida útil dos pneus, vários estudos indicam que um veículo ligeiro médio a combustão interna consegue percorrer entre 65 mil e 80 mil quilómetros sem trocar os pneus. Já um veículo elétrico comum aguenta entre 40 mil a 55 mil quilómetros, mas um elétrico com maior desempenho só aguenta entre 25 mil e 40 mil quilómetros. O estudo não inclui uma comparação com híbridos.
Mas o que leva os carros elétricos a gastar mais os pneus? Os dos carros elétricos são específicos para este tipo de veículos, o que se reflete num custo superior entre 20 a 30%. Isto deve-se ao facto de serem projetados para suportar mais peso, reduzir o ruído, otimizar a autonomia, oferecer uma resistência redobrada e uma rigidez lateral reforçada. Quanto ao desgaste “este é 15% a 30% mais rápido do que nos carros a combustão”, revela o estudo.
Isto sucede devido ao maior peso da bateria e ao poder de aceleração, ou seja, o binário instantâneo do motor elétrico, fica logo disponível desde o arranque. Portanto, 100% da potência está imediatamente pronta a dar o máximo, o que resulta em transferências de peso superiores às verificadas num veículo a combustão, acrescentando desgaste aos pneus.
Elliott Smith, especialista da Kwik Fit, confirma esta teoria numa entrevista dada à Revista Carros, afirmando que um dos motivos que contribuiu para o desgaste mais rápido dos pneus “é que o binário instantâneo dos carros elétricos, combinado com o seu peso superior, pressiona mais os pneus. Além disso, muitos condutores aproveitam a aceleração rápida, o que aumenta ainda mais o desgaste”.
A esta altura está a questionar, mas quanto pesa um Tesla 3? O seu peso varia consoante a versão e os equipamentos, mas um Model 3 pode pesar entre 1761 e 1824 kg. Para ter uma ideia um artigo do site do Automóvel Clube de Portugal (ACP) explica que, em comparação com os veículos a combustão, os carros elétricos podem ser até 300 kg mais pesados do que um automóvel a diesel ou a gasolina.
A questão do peso tem outras desvantagens. Pedro Carteiro, da Associação Terrestre Sustentável, afirma que a ZERO já tinha alertado para o facto de “Portugal precisar de uma fiscalidade automóvel que penalize diretamente os veículos mais pesados”. Isto porque, se houver mais troca de pneus, aumentar-se-ão os respetivos resíduos. Além disso, a futura Lei da Economia Circular, prevista para 2026, poderá alterar a forma como os pneus em fim de vida são tratados na União Europeia.
Neste momento, em Portugal a resposta do país assenta num quadro legal consolidado. A gestão dos pneus usados é regulada pelo Decreto-Lei n.º 152-D/2017, que estabelece o regime da responsabilidade alargada do produtor, e operacionalizada através do Sistema Integrado de Gestão de Pneus Usados (SGPU), gerido pela Valorpneu, licenciada até 2034.
O sistema garante taxas de recolha próximas dos 100% dos pneus colocados no mercado, encaminhando-os para recauchutagem, reciclagem material ou valorização energética, com metas ambientais rigorosas impostas pela Agência Portuguesa do Ambiente. O desafio, agora, é assegurar que este modelo acompanha o ritmo acelerado da eletrificação automóvel.
Outro aspeto que pode pesar na fatura são as reparações de colisão de um carro elétrico que custam, em média, mais 20% devido aos sensores avançados e à mão de obra especializada das inspeções da bateria. Vários estudos alertam também para a importância de inspeções preventivas e para o elevado custo potencial da substituição das baterias a longo prazo
Contudo, há o reverso da medalha. Os carros elétricos têm menos componentes móveis, o que elimina a necessidade de despesas com mudança de óleo e de substituição de velas de ignição, além disso não têm filtros de combustível nem sistemas de escape. Segundo a Consumer Reports, os proprietários de veículos elétricos e híbridos Plug in pagam cerca de 50% menos por manutenção e reparações gerais do que os de veículos a combustão interna. A mesma fonte afirma também que os travões duram duas a três vezes mais. Isto porque a travagem regenerativa pode gerir entre 70% e 90% da desaceleração, reduzindo o desgaste e prolongando a vida útil das pastilhas. No entanto, a sua subutilização pode causar corrosão ou oxidação nos componentes mecânicos. Como se costuma dizer não há bela sem senão e o mais importante é fazer bem as contas para saber quanto poderá custar um e outro veículo. É necessário medir os prós e os contras antes de pôr o pé no acelerador!
Como poupar os pneus?
São vários os fatores que levam a um desgaste prematuro dos pneus, transformando-os em resíduos antes do tempo e contribuindo também para dispersão de poluentes no ambiente. Assim, para evitar que o seu veículo não se torne num Tesla, Pedro Carteiro, da ZERO deixa algumas recomendações para prolongar a vida dos seus pneus:
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