O Celta de Vigo poderá estar perto de adquirir a maioria do capital da SAD do Gondomar SC, num processo que pode estar ameaçado por um processo judicial que coloca em causa a legitimidade da atual direção do clube.
Para explicar todo este processo, é preciso recuar até 2009. Nesse ano, o Gondomar SC foi despromovido de forma administrativa na sequência do processo “Apito Dourado”, uma decisão que acabou por afetar o percurso desportivo e institucional do clube durante mais de dez anos.
No entanto, o Supremo Tribunal Administrativo reverteu esta decisão e concluiu que o clube foi punido de forma injusta e deve ser reintegrado no quadro competitivo da 2ª liga. Há quem estime que o regresso do Gondomar aos escalões profissionais do futebol português possa concretizar-se daqui a duas épocas: 2027/28.
E é aqui que chegamos à criação da SAD do Gondomar, processo que está a levantar grande polémica entre a massa associativa do clube. Para competir na 1ª e 2ª ligas de futebol profissional em Portugal, é obrigatório que o clube o faça através de uma SAD ou outra forma de sociedade desportiva.
Nesse sentido, a atual direção do Gondomar SC aprovou em Assembleia Geral extraordinária, que teve lugar a 30 de junho deste ano, a criação de uma SAD, sendo que ter-se-ão iniciado de imediato contactos com o grupo ligado ao Celta do Vigo.
Assim, foi apresentada uma ação declarativa de condenação apresentada contra o Gondomar SC intentada no Tribunal Judicial da Comarca do Porto. O autor desta ação, a que o JE teve acesso e em que representa um conjunto de associados, pretende fazer cessar os efeitos jurídicos dessa assembleia geral assim como os atos que dela decorreram: deliberação de alteração de estatutos do clube e a escritura de alteração dos mesmos.
Com este processo interno movido por este grupo de sócios, fica envolto em incerteza o regresso do Gondomar aos campeonatos profissionais, sendo que a criação e venda da SAD assume-se como um pilar estratégico para esse passo.
O JE falou com o associado que deu entrada com o processo no Tribunal Judicial da Comarca do Porto e este considera que as decisões do clube têm sido tomadas sem ouvir os sócios: “O Gondomar parece que é só de uma pessoa”, reclama.
Relatando os acontecimentos dessa Assembleia Geral de 30 de junho deste ano, este sócio que os estatutos foram alterados de forma a que os sócios não pudessem votar e isso levou à criação e venda da SAD ao Celta de Vigo, sem que os sócios pudessem interceder.
“A criação de uma SAD é sempre bem-vinda mas estes processos têm que ser transparentes. Temos que voltar aos estatutos antigos para que todos os sócios se possam pronunciar. O Gondomar é um clube fechado neste momento”, destaca este sócio.
Explica este associado que foram apresentadas três propostas para a venda da SAD do Gondomar mas perceberam de imediato para que se sentido rumava o negócio: “Apesar de existirem outras propostas, a do Celta de Vigo foi abordada de forma mais demorada do que as outras”.
Realçando que este grupo de sócios não é contra a criação e venda da SAD, este associado sublinha que “não é em dois meses que se cria uma SAD e quinze dias para apresentar propostas para a compra de uma SAD é um período demasiado curto para que surja um projeto sólido”.
Esta não é a primeira vez que surgem notícias de que o Celta de Vigo, liderado pelo presidente Marián Mouriño, pode estar próximo de entrar no capital de várias SAD em Portugal. Só nos últimos tempos falou-se da possibilidade de entrar no capital das SAD do GD Chaves, Belenenses, Penafiel e Feirense. Neste último caso, chegou-se a mencionar um valor de 12 milhões de euros pela aquisição de 70% do capital dessa SAD.
Marián Mouriño assumiu a presidência do Celta de Vigo em dezembro de 2023 assim como a liderança do Conselho de Administração do Grupo Corporativo GES, S.L. (ligado à família do presidente do Celta de Vigo). Atualmente, o Celta de Vigo é sétimo na La Liga, disputando também a Liga Europa.
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