CNBC: Uma nuvem paira sobre o crescimento de uma economia portuguesa com maior peso das exportações

A dois dias de uma ida às urnas, a CNBC escreveu um um artigo de análise sobre o estado da economia portuguesa. Numa altura em que os EUA preparam-se para impor fortes taxas de exportação sobre a União Europeia, o site noticioso norte-americano apontou a alta dependência externa como um dos fatores que contribuem para o crescimento económico no país.

Bobby Yip/Reuters

Com um novo ciclo político prestes a começar, muitos analistas questionam quanto tempo durará o período de estabilidade económica em Portugal depois das eleições de domingo.

Na imprensa internacional, Portugal é geralmente descrito como uma história de sucesso na zona do euro depois de ter adotado medidas profundas de austeridade para recuperar da crise da dívida soberana, tendo sido registadas taxas de crescimento acima da média nos últimos dois anos. No entanto, a sua recente conquista económica deve-se, em grande parte, aos elevados níveis de exportação, algo que pode vir a mudar devido às elevadas taxas impostas pelos EUA à União Europeia, esta semana.

A CNBC fez uma análise sobre o crescimento económico em Portugal, dois dias antes de os portugueses irem às urnas votar. Ana Andrade, analista da Economist Intelligence Unit, foi uma das entrevistadas sobre esta análise e referiu que “Portugal está mais exposto [ao comércio global] do que antes da crise. A percentagem das exportações aumentou. Portugal está [agora] mais integrado no sistema comercial global”, afirmou.

Em 2010, um ano antes de solicitar assistência financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da UE, Portugal, exportou cerca de 37,3 mil milhões de euros. Desde então, as exportações aumentam quase todos os anos, atingindo cerca de 58 mil milhões de euros em 2018, segundo dados preliminares. As exportações portuguesas representaram mais de 40% da taxa de crescimento do país em 2018, em comparação com quase 30% em 2010, refere a CNBC.

“Embora se projete que a economia portuguesa cresça mais rapidamente do que a da zona do euro, uma recessão global e europeia mais acentuada do que o esperado vai expôr os persistentes desequilíbrios macroeconómicos subjacentes”, disse Michiel van der Veen, economista da RaboResearch. As  previsões apontam para uma taxa de crescimento de 1,7% em 2019 e 1,2% em 2020, dado que Portugal cresceu 2,8% em 2017 e 2,1% em 2018.

Eleições no domingo podem mudar cenário de estabilidade

No domingo os portugueses são chamados às urnas para votarem no próximo Governo e primeiro-ministro. As sondagens apontam, sem inequívoco, que o PS de António Costa vai ser reeleito, mas a verdadeira questão recai sobre se a reeleição será com uma maioria absoluta ou não.

“Vai depender do tipo de governo que é formado, mas eu esperaria um grau substancial de continuidade política na ausência de choques económicos”, referiu Antonio Barroso, diretor da firma de pesquisa Teneo à CNBC quando questionado sobre que influências pode ter o PS no crescimento económico.

“António Costa, o líder socialista e atual primeiro ministro, prometeu continuar a reduzir a dívida pública do país. A mesma cresceu substancialmente após a crise da dívida, que atingiu um pico de 130% do PIB (produto interno bruto) em 2014”, conta a CNBC. “O programa de Costa diz que o objetivo é levar os atuais 120% da dívida ao PIB para mais perto de 100% do PIB até o final do próximo mandato em 2023”.

“Para cumprir as metas fiscais, Costa vai depender do crescimento Económico contínuo”, afirmou van der Veen, da RaboResearch ao site noticioso. “No entanto, o crescimento económico pode ter dificuldades em manter o ritmo, à medida que a guerra comercial EUA-China entra em pleno andamento e a economia da área do euro desacelera”, explicou ele.

 

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