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Conselho de administração da Carris renuncia ao cargo e Moedas aceita

A renúncia acontece na sequência das conclusões do relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), divulgado na segunda-feira, relativamente à tragédia com o elevador da Glória, que ocorreu no dia 03 de setembro e provocou 16 mortos e duas dezenas de feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.
Presidente da Carris
epa12352431 Pedro de Brito Bogas, chairman of the Board of Directors of Carris, attends a press conference on the accident at the Gloria funicular in Lisbon, Portugal, 04 September 2025. The accident caused the death of at least 16 people and left five others seriously injured. EPA/RODRIGO ANTUNES
22 Outubro 2025, 17h27

O presidente da empresa municipal Carris, Pedro de Brito Bogas, apresentou a renúncia ao cargo ao presidente da Câmara de Lisboa, resignação que é extensível a todos os restantes elementos do conselho de administração, revelou hoje a autarquia.

A renúncia acontece na sequência das conclusões do relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), divulgado na segunda-feira, relativamente à tragédia com o elevador da Glória, que ocorreu no dia 03 de setembro e provocou 16 mortos e duas dezenas de feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.

Em comunicado, a Câmara Municipal de Lisboa informou que o presidente da autarquia, Carlos Moedas (PSD), “compreende e aceita os motivos apresentados” no pedido de renúncia do conselho de administração da Carris, “considerando fundamental a nomeação de uma nova administração, que será apresentada oportunamente, para um novo mandato”.

De acordo com a autarquia, a atual administração da Carris garantirá a gestão, dentro dos prazos e limites legais, até à escolha de um novo presidente e conselho de administração desta empresa municipal.

Pedro de Brito Bogas apresentou a renúncia ao cargo de presidente da Carris durante um encontro com Carlos Moedas, em que informou que a resignação é “extensível a todos os restantes elementos do conselho de administração da empresa”.

A este propósito, o presidente da Câmara de Lisboa destacou “a forma profissional e corajosa com que no momento mais duro do mandato, na sequência do trágico acidente do elevador da Glória, o atual conselho de administração defendeu os interesses da empresa e, apesar de terem colocado o lugar à disposição desde a primeira hora, aceitaram manter-se em funções”.

Na sequência desta decisão, de acordo com o comunicado da autarquia, “Carlos Moedas reforça e assume a preocupação de querer restabelecer o mais depressa possível a total confiança e credibilidade de uma empresa fundamental para a cidade de Lisboa”.

De acordo com informação avançada na terça-feira pela SIC, citando fonte próxima de Carlos Moedas, o presidente da Câmara de Lisboa não iria reconduzir a atual administração da Carris e assumia “a preocupação de querer recuperar o mais depressa possível a confiança e credibilidade da empresa”.

Atualmente, a administração da Carris é presidida por Pedro de Brito Bogas, após nomeação aprovada pela Câmara de Lisboa em maio de 2022, para substituir Tiago Farias, que ocupava o cargo desde 2016.

Na noite do acidente com o elevador da Glória, que ocorreu em 03 de setembro, segundo a CNN Portugal, o presidente da Carris colocou o lugar à disposição, mas Carlos Moedas não aceitou o pedido de demissão.

A investigação do GPIAAF ao acidente com o elevador da Glória detetou falhas e omissões na manutenção do ascensor, apontando também a falta de formação dos funcionários e de supervisão dos trabalhos efetuados pela empresa prestadora do serviço.

Segundo os investigadores, “embora as ações de manutenção contratualmente previstas e planeadas estivessem a ser registadas como cumpridas em sistema de registo próprio, ao qual a Carris tem acesso direto, foram recolhidas evidências de que tal registo não corresponde às tarefas que efetivamente foram executadas”.


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